França admite crise no SocGen e quer renúncia de chairman

terça-feira, 29 de janeiro de 2008 13:40 BRST
 

Por Andrew Hurst e Tim Hepher

PARIS (Reuters) - O governo francês advertiu nesta terça-feira os bancos rivais para não tentar obter o controle do Société Générale, que procura se recuperar de perdas que teriam sido causadas por um operador, mas colocou pressão para que o presidente da instituição se demita. "O governo está muito atento a todas as tentativas de desestabilizar o Société Générale", disse o primeiro-ministro, François Fillon, a jornalistas. "O governo não quer que o Société Générale seja objeto de movimentos hostis de outras empresas." No dia 24 de janeiro, o SocGen descobriu uma enorme negociação de ações não autorizadas negociadas por um de seus empregados, que resultou em perdas de 4,9 bilhões de euros (7,2 bilhões de dólares).

Jerome Kerviel, um operador júnior de 31 anos, foi posto sob investigação por abuso de confiança e outros delitos na segunda-feira, mas os juízes derrubaram a maior acusação de fraude fiscal feita pelo banco e os procuradores o colocaram em liberdade sob fiança. O governo expressou sua contrariedade por não ter sido informado antes de que o escândalo do SocGen viesse à tona na semana passada.

Os diretores do SocGen sofreram mais embaraços quando o procurador-geral francês revelou na segunda-feira que a Eurex, uma bolsa de derivativos controlada pela Deutsche Boerse, havia questionado as posições de Kerviel em novembro, mas que o operador tinha conseguido evitar que as questões chegassem a seus superiores.

A situação do SocGen alimentou antigas especulações de que o BNP Paribas, maior banco francês listado em bolsa, pode fazer uma oferta de compra. A instituição escapou de uma tentativa de compra pelo BNP em 1999.

A ministra da Economia da França chamou à responsabilidade as lideranças do banco nesta terça-feira usando uma linguagem dura, que analistas disseram ser incomum para um membro importante do Executivo. "O Société Générale está numa situação de crise", disse a ministra Christine Lagarde à rede de TV LCI nesta terça-feira.

"Em momentos de dificuldade, os membros da diretoria devem decidir se a pessoa no comando é a melhor para conduzir o navio quando ele está fazendo um pouco de água ou se precisam mudar o capitão", disse a ministra.

Analistas disseram que os comentários colocaram pressão sobre o chairman, Daniel Bouton, para deixar o cargo após o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pressionar os diretores do SocGen na noite de segunda-feira.

O presidente afirmou que eles teriam que aceitar sua parcela de responsabilidade pelo maior escândalo do tipo no mundo.