29 de Fevereiro de 2008 / às 18:38 / 10 anos atrás

Navio de guerra dos EUA ameaça estabilidade, diz Hezbollah

Por Laila Bassam

BEIRUTE (Reuters) - O grupo Hezbollah, aliado do Irã, acusou os EUA na sexta-feira de colocar em perigo a estabilidade regional ao estacionar um navio de guerra perto da costa do Líbano e prometeu enfrentar o que descreveu como um ato de intimidação militar.

Os EUA disseram na quinta-feira ter enviado o destróier USS Cole para o leste do Mediterrâneo porque o atual governo do país, do presidente George W. Bush, estava preocupado com o impasse político no Líbano.

“A manobra dos norte-americanos ameaça a estabilidade do Líbano e da região e é tentativa de provocar tensões”, afirmou à Reuters, por telefone, Hassan Fadlallah, membro do Parlamento libanês que integra o Hezbollah.

O grupo, que conta com o apoio da Síria e do Irã, lidera a oposição que, no Líbano, trava há 15 meses uma luta de poder com a coalizão governista pró-Ocidente.

O impasse, pelo qual os EUA responsabilizam a intervenção da Síria, faz com que o país esteja sem um presidente desde novembro. “O governo norte-americano já usou antes a política de enviar navios de guerra para dar apoio a seus aliados no Líbano, e aquela tentativa fracassou e acabou tendo o efeito contrário ao desejado”, disse Fadlallah.

“Nós não sucumbimos a ameaças e à intimidação militar vindas dos EUA a fim de implantar sua hegemonia sobre o Líbano.”

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse que seu governo não pediu que os norte-americanos adotassem uma manobra do tipo.

“Em relação às notícias de que navios de guerra da chegaram ao leste do Mediterrâneo, é importante ressaltar que não há navios de guerra estrangeiros nas águas territoriais do Líbano”, afirmou Siniora, diante de embaixadores de países árabes. “Não pedimos a presença de nenhum navio de guerra.”

Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que, para os adversários dos norte-americano, a manobra seria “apenas um lembrete de que continuamos aqui.”

“Temos um compromisso de longo prazo com a paz e a estabilidade lá (na região), e não vamos a lugar nenhum. Pretendemos manter uma presença robusta e defensiva lá”, afirmou.

REPETIÇÃO

“Os EUA repetem sua aventura de 82”, disse em uma manchete o jornal al-Akhbar, pró-Hezbollah, referindo-se ao envio de um grande número de militares dos EUA para o Líbano depois da invasão israelense, daquele mesmo ano.

Naquele momento, os EUA colocaram fuzileiros em Beirute e navios de guerra na costa do país a fim de dar a um governo libanês que tentava selar um acordo de paz com Israel.

As forças norte-americanas precisaram retirar-se depois de vários atentados suicidas cometidos por militantes pró-Irã, um dos quais responsável por matar 241 fuzileiros.

O governo libanês, pressionado pela Síria e pelos aliados libaneses dela, viu-se obrigado então a desistir do acordo de paz com Israel.

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