IOF e turbulências externas freiam crédito em 2008, avalia BC

terça-feira, 29 de janeiro de 2008 12:38 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - Após avançar 27,3 por cento no ano passado, o volume de crédito no país tende a crescer a taxas mais modestas em 2008, quando as turbulências externas e o aumento do IOF devem impedir reduções mais significativas do custo final dos financiamentos. A avaliação é do Banco Central.

"A gente não tem tanto espaço para redução de taxas, é de se esperar um crescimento menor do crédito", afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao comentar os dados do crédito em 2007 nesta terça-feira.

No final do ano passado, o volume total de crédito alcançou 932,2 bilhões de reais, o equivalente a 34,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) --maior patamar desde maio de 1995, quando o volume era de 35,1 por cento do PIB.

Considerando apenas os recursos livres, cujas taxas não são estabelecidas em programas governamentais, os empréstimos aumentaram 32,2 por cento no ano, para 659 bilhões de reais.

A taxa média de juros caiu seis pontos percentuais ao longo do ano, para 33,8 por cento em dezembro, e o spread bancário --diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes-- teve redução de 4,8 pontos, para 22,4 pontos percentuais.

Altamir Lopes afirmou que a redução das taxas finais cobradas dos consumidores explicou a maior parte do aumento do crédito no ano passado. Ele acrescentou que essa redução continuou a ocorrer, via queda do spread, mesmo quando a piora do cenário externo, no final do ano passado, provocou uma elevação no custo de captação dos bancos.

"Até que essa crise se resolva ou fique mais clara sua duração, a elevação do custo de captação (dos bancos) deve permanecer", disse Lopes.

"A redução do spread ficou comprometida por força do IOF", acrescentou, em referência ao aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras promovida pelo governo em janeiro como medida para compensar parte das perdas com o fim da CPMF.

Apesar de o custo dos empréstimos tender a ficar, no mínimo, estável no ano, os prazos podem continuar subindo por força do aumento da participação do crédito imobiliário, que é isento do IOF, disse Lopes. O prazo médio das operações de crédito fechou o ano passado em 351 dias, frente a 296 dias em dezembro de 2006.