Mesmo com Fitch, Bovespa tem maior queda em maio

quinta-feira, 29 de maio de 2008 17:53 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A confirmação do evento mais aguardado das últimas semanas, a elevação do rating soberano do Brasil para a faixa considerada de baixo risco de crédito pela Fitch, não comoveu os investidores da Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou com a maior queda de maio.

Embora tenha chegado a reverter para cima logo após a notícia, o Ibovespa retomou a trajetória negativa, fechando com baixa de 1,85 por cento, para 71.797 pontos. Mas a volatilidade turbinou o giro financeiro para 8,36 bilhões de reais.

Desde 30 de abril, quando a Standard & Poor's foi a primeira das agências internacionais de classificação de risco a elevar o país a grau de investimento, o índice acumulou valorização de 14,6 por cento.

Segundo Maurício Oreng, analista da Itaú Corretora, parte desse movimento já embutia a expectativa de que outras instituições fariam o mesmo. Na quarta-feira, acreditando que a decisão da Fitch era iminente, os investidores voltaram a comprar ações, levando o Ibovespa a subir 3,04 por cento, na maior alta no mês.

"A decisão já estava amplamente precificada", disse Oreng.

Não bastasse isso, fortes quedas nas cotações de commodities detonaram ordens de vendas maciças de vendas das ações de algumas das empresas mais importantes do índice, como Petrobras e Vale.

As ações preferenciais da primeira ruíram 3,24 por cento, a 49,34 reais, na cola da cotação do barril do petróleo em Nova York, que caiu 3,45 por cento.

O mesmo raciocínio levou as ações preferenciais da Vale a desabarem 4,3 por cento, para 53,40 reais. No mercado de metais, os preços do cobre chegaram nesta quinta-feira ao menor patamar em dois meses.

Entre as poucas altas do dia, figuraram companhias aéreas e petroquímicas, cujas ações vinham se ressentindo da escalada dos preços do petróleo.

As ações preferenciais da GOL deram um salto de 4,95 por cento, a 25,45 reais; enquanto as preferenciais da TAM avançaram 3,9 por cento, para 35,12 reais. As preferenciais da petroquímica Braskem subiram 0,07, para 13,46.