ANÁLISE-Brasil pode focar acordos bilaterais após estrago na OMC

terça-feira, 29 de julho de 2008 19:31 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A falta de um novo acordo de comércio global vai reduzir o ritmo de expansão das exportações brasileiras em alguns setores e poderá levar o país a buscar acordos regionais ou bilaterais para aliviar o estrago provocado na OMC, onde o Brasil apostou alto.

Dirigentes de entidades industriais e rurais, assim como especialistas em comércio, não vêem o colapso das negociações da Rodada de Doha como um desastre total, mas acreditam que um acordo poderia acelerar ganhos do país em algumas áreas que se mostram carentes no mundo, como alimentos e energia.

"Se o Brasil tivesse obtido um resultado como estava mais ou menos se delineando, já teria uma promessa concreta, traduzida em acordos, de uma expansão de mercado daqui alguns anos", afirmou Rubens Ricupero, ex-diretor geral da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

"Agora não vai ter nada. Mercados por exemplo como o do etanol e agrícolas em geral, a diminuição de subsídios na Europa e Estados Unidos, não vai haver nada disso. Vamos ficar esperando uma outra tentativa", afirmou.

Pedro Camargo Neto, presidente da associação que reúne exportadores de carne suína, afirmou que agora o Brasil deve olhar para outras formas de expandir exportações.

"Você não ganha os aumentos que iriam ocorrer agora, mas a vida continua", disse Camargo.

"O que o Brasil cresceu de exportador agrícola nos últimos 15 anos não teve nada a ver com a Rodada do Uruguai, por exemplo, mas sim com o aumento de produtividade, reforma estrutural. Vai continuar nessa linha", acrescentou.

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