September 29, 2008 / 10:02 PM / 9 years ago

BOVESPA-Pacote dos EUA fracassa e índice tem pior dia desde 1999

4 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações e números oficiais de fechamento da bolsa)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 29 de setembro (Reuters) - Numa segunda-feira negra dos mercados internacionais, a Bolsa de Valores de São Paulo refletiu a sensação de pânico provocada pelo aprofundamento da crise financeira nos Estados Unidos e na Europa e teve o pior dia em quase uma década.

Depois de ter chegado a beliscar os 14 por cento de queda, o Ibovespa .BVSP reduziu as perdas para fechar com desvalorização de 9,36 por cento, aos 46.028 pontos, o menor patamar em 17 meses.

Isso, depois de as negociações terem sido interrompidas pelo circuit break, mecanismo acionado automaticamente quando o índice ultrapassa os 10 por cento de queda, o que não acontecia desde 14 de janeiro de 1999.

O giro financeiro do pregão atingiu 5,73 bilhões de reais.

A rejeição de congressistas ao pacote do governo dos Estados Unidos para tentar evitar uma quebradeira de bancos do país ao mesmo tempo surpreendeu e coroou um dia recheado de notícias assustadoras do setor financeiro global.

Antes, os mercados já reagiam a notícias de novas vítimas da crise recente. Nos Estados Unidos, o Citigroup anunciava a compra das operações bancárias do Wachovi. Pior: o grupo belga-holandês Fortis deu sinais que a desconfiança com a saúde dos bancos chegou à Europa ao ser parcialmente nacionalizado para escapar da insolvência.

Outras instituições do Velho Continente tiveram menos sorte. A concessora de empréstimos britânica Bradford & Bingley teve a unidade de varejo comprada pelo Santander (SAN.MC), enquanto sua carteira de hipotecas era nacionalizada pelo governo britânico. O principal índice europeu de ações naufragou 5,23 por cento, para o menor nível em 3 anos e meio.

O susto ganhou contornos de pânico quando o governo norte-americano fracassou no esforço de tentar passar no Congresso o plano anticrise de 700 bilhões de dólares cuja aprovação já dava como certa.

Com a maior queda em pontos diária da história, o índice Dow Jones .DJI despencou 6,98 por cento. O Nasdaq .IXIC foi ainda mais longe, derretendo 9,14 por cento.

"Voltamos para o horizonte de incerteza e medo que marcava o mercado há duas semanas", disse Cristiano Souza, economista do ABN Amro.

Na bolsa paulista, todas as 66 ações do Ibovespa fecharam no vermelho, com as blue chips figurando no pelotão das piores. BM&F Bovespa (BVMF3.SA) naufragou 20,2 por cento, para 7,26 reais. Vale (VALE5.SA) deu um mergulho de 12,1 por cento, para 30,30 reais.

Os investidores desprezaram até Petrobras (PETR4.SA), que na sexta-feira à noite havia anunciado a descoberta de uma nova reserva de petróleo na bacia de Santos. Na cola de uma queda de 11 dólares do barril de petróleo, a ação preferencial da companhia perdeu 7,56 por cento, para 32,75 reais.

Edição de Alexandre Caverni

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