Empresas consideram pré-sal investimento de risco

sexta-feira, 29 de agosto de 2008 17:48 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O argumento do governo de que o modelo de exploração petrolífera no país deve ser mudado porque não há risco no pré-sal foi derrubado nesta sexta-feira por empresários do setor, que defendem a manutenção do atual modelo de concessão,

Segundo o presidente da Devon no Brasil, Murilo Marroquim, mais de 100 poços foram perfurados na bacia de Campos na camada pré-sal sem sucesso.

"Essa história de que não há risco no pré-sal não existe. Não há risco no pólo Tupi", afirmou ele durante sua apresentação no seminário "Os Desafios do Pré-Sal", promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) e a Fundação Getúlio Vargas.

Tupi faz parte de um conjunto de sete blocos na bacia de Santos onde a Petrobras e parceiras descobriram petróleo de alta qualidade a mais de 5 mil metros de profundidade, a chamada camada pré-sal. Tupi é o único com estimativas de reservas, entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente.

No Brasil, atualmente vigora o modelo de concessão, onde o investidor é dono de toda a produção e paga impostos ao governo. Uma comissão interministerial avalia no momento se o modelo será modificado, provavelmente para o de partilha, onde a União é dona do óleo e paga ao investidor em petróleo.

"O governo não pode criar um modelo para o pré-sal, pensando apenas em Tupi", alertou Marroquim, que também é coordenador do comitê de exploração e produção do IBP.

Segundo Marroquim, já houve casos em que os Testes de Longa Duração (TLD) no pré-sal de Campos não confirmaram o volume previsto inicialmente. O TLD de Tupi será iniciado em março de 2009.

"A viabilidade dos campos não está comprovada, só lá para 2026 vai chegar no pico da produção e em 2027 começa a recuperar o investimento", afirmou Ivan Simões Filho, diretor da British Petroleum (BP) e ex-diretor da ANP.   Continuação...