Bernanke: Tensão financeira obscurece perspectivas econômicas

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 22:33 BRST
 

WASHINGTON (Reuters) - O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse na quinta-feira que o ressurgimento de tensões financeiras nas últimas semanas obscureceu a perspectiva para a economia norte-americana, sinalizando uma abertura para reduzir novamente a taxa de juros.

"A perspectiva tem sido importantemente afetada ao longo do último mês pelas renovadas turbulências nos mercados financeiros, que reverteram parcialmente a melhora ocorrida em setembro e outubro", disse ele em comentários preparados para uma cerimônia na Câmara de Comércio de Charlotte. "Nós, no Fed, teremos que continuar excepcionalmente alertas e flexíveis."

Uma cópia de seus comentários foi divulgada com antecedência em Washington.

Segundo Bernanke, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed analisará novas informações sobre emprego, gastos e mercados financeiros quando se reunir no dia 11 de dezembro para decidir sobre a taxa de juros. Em setembro e outubro o Fed reduziu os juros, que estão atualmente em 4,5 por cento, na tentativa de fazer frente às turbulências no mercado imobiliário e de crédito.

"Ao tomar suas decisões, o comitê terá de julgar se a perspectiva para a economia ou o balanço de riscos mudou significativamente", disse. "Ao fazer isso, vamos levar em conta as implicações para as perspectivas tanto para os próximos dados econômicos, quanto para os próximos desdobramentos nos mercados financeiros."

Os comentários de Bernanke estão em linha com os feitos na quarta-feira pelo vice-chairman do Fed, Donald Kohn, que disse ter sido pego de surpresa pela fragilidade dos mercados financeiros desde o último encontro do comitê, nos dias 30 e 31 de outubro.

Bernanke classificou de mistos os dados econômicos que foram divulgados após essa reunião, com contínua fragilidade nas vendas de casas e no setor de construção, acompanhada de um mercado de trabalho sólido em outubro.

Bernanke disse ainda que o núcleo da inflação, que exclui as variações de preços dos alimentos e da energia, tem sido moderado, mas ele citou os altos preços do petróleo e o aumento dos custos dos alimentos e de alguns bens importados, que podem exercer pressão de alta na inflação.

"A efetividade da política monetária depende de forma crítica da manutenção da confiança pública de que a inflação será bem controlada", disse ele. "Estamos monitorando o desenvolvimento da inflação de perto."

(Por Mark Felsenthal)