Após 3 meses de perda, mercado vê reação da Bovespa em setembro

sexta-feira, 29 de agosto de 2008 18:07 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Bolsa de Valores de São Paulo não resistiu ao pessimismo de Wall Street, com dados corporativos desanimadores, e fechou a última sessão de agosto no vermelho, cravando o terceiro mês seguido em baixa. Com desvalorização de 1,24 por cento nesta sexta-feira, o Ibovespa chegou a 55.680 pontos, com os investidores preferindo se desfazer das ações antes de um final de semana prolongado nos Estados Unidos, que mantém fechados os mercados na segunda-feira pelo Dia do Trabalho.

Mesmo assim, o giro financeiro ganhou força no final do pregão, chegando a 4,77 bilhões de reais, o melhor em duas semanas.

O índice acumulou perda de 6,4 por cento no mês, reforçando a tendência de correção iniciada em junho, elevando para 12,8 por cento a variação negativa no ano.

Para especialistas, ainda há nuvens escuras no horizonte, devido a perdas de grandes instituições financeiras dos Estados Unidos com a crise imobiliária que ainda não foram reconhecidas.

Eles avaliam, no entanto, que após uma desvalorização de 23,2 por cento do índice em três meses a tendência é uma reação. "Os preços das ações caíram tanto que vender mais agora acabou ficando penoso demais", disse Hamilton Moreira, analista sênior do BB Investimentos.

Ele acredita que setembro ainda deva apresentar volatilidade, mas que o índice retomará a casa dos 60 mil pontos até o final do mês.

Para Valmir Celestino, gestor de renda variável do banco Safra, à medida que vão ficando mais claros os estragos com a crise de crédito, a tendência é que os investidores estrangeiros (que tiraram mais de 17 bilhões de reais da Bovespa desde junho) voltem das férias no Hemisfério Norte dando mais atenção a fundamentos.

"Com o crescimento surpreendente do PIB dos EUA e os bons números das empresas brasileiras, acredito que o Ibovespa pode ter uma reação técnica até cerca de 64 mil pontos", afirmou.

A Bovespa começa setembro com nova carteira teórica do índice, que registra as entradas de BM&F Bovespa e de Redecard e a saídas de Cyrela Commercial Properties e das ações preferenciais da Telemig Participações .