29 de Novembro de 2007 / às 16:37 / em 10 anos

Para ArcelorMittal, Brasil está no "topo dos Brics"

Por Denise Luna

VITÓRIA (Reuters) - A siderúrgica global ArcelorMittal quer aumentar sua presença no Brasil e estima que nos próximos cinco anos investirá 5 bilhões de dólares para elevar sua produção atual de 12 milhões de toneladas de aço (um terço do volume produzido no país), em 4 a 5 milhões de toneladas.

Lakshmi Mittal, presidente mundial da companhia, disse estar confiante no crescimento da economia brasileira e de outros países em desenvolvimento, mas ressaltou que o Brasil é “muito importante para o grupo, está no topo dos Brics (sigla pela qual ficaram conhecidos Brasil, Rússia, Índia e China)”.

“A expectativa é que a demanda por aço no Brasil cresça acima da média, baseada em indicadores econômicos de longo prazo. É importante que o Brasil tenha uma indústria siderúrgica capaz de suportar o crescimento da economia, e estamos comprometidos em assegurar isso”, afirmou Mittal a jornalistas.

A declaração foi feita após a inauguração do terceiro alto-forno da ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo, que eleva a produção da unidade de 5 milhões para 7,5 milhões de toneladas de aço por ano.

Segundo ele, “a proximidade da matéria-prima, o minério de ferro de boa qualidade, a força de trabalho qualificada e as boas perspectivas de crescimento fazem do Brasil um ótimo lugar para se fabricar aço”.

Ele afastou, no entanto, planos de adquirir negócios em outras áreas no país, como petróleo e gás natural, mas disse que são setores que podem interessar a outras pessoas da família Mittal.

“A ArcelorMittal não gostaria de diversificar, mas minha família tem partes de petróleo e gás, talvez eles invistam no setor”, disse ele, sem entrar em detalhes.

A expansão da ArcelorMittal no país, segundo o empresário indiano, será orgânica, e nos planos não estão previstas aquisições. Um dos principais empreendimentos será elevar a produção da usina de João Monlevade, unidade da antiga Belgo Mineira, hoje ArcelorMittal Aços Longos, em 1,2 milhão de toneladas, projeto que está diretamente ligado a negociações com a Vale para aumento de fornecimento de minério.

“Estamos discutindo com a CVRD (Vale) a expansão da mina (de minério de ferro) de Andrade, porque Monlevade vai precisar de mais minério”, informou. A mina de Andrade, localizada no Estado de Minas Gerais, pertence ao grupo ArcelorMittal e foi arrendada em 2004 pela Vale por 40 anos.

Outras obras previstas são a instalação de mais uma linha de produção no laminador a quente da ArcelorMittal Tubarão, para aumentar a produção de 2 para 4 milhões de toneladas, e ampliação da ArcelorMittal Vega, antiga Vega do Sul, em Santa Catarina, com a instalação de uma nova linha de galvanização.

Segundo Mittal, ainda não há definição para a Acesita, única companhia do grupo que não foi incluída na holding ArcelorMittal Brasil.

PREÇO DO MINÉRIO

Para o mercado internacional, a expectativa de Mittal também é positiva. Segundo ele, apenas a economia norte-americana “é mais desafiadora por causa da crise do subprime”. Mas o presidente do grupo ponderou que a expectativa é de melhora ao longo de 2008.

A previsão do empresário é de que nos próximos anos a indústria siderúrgica como um todo cresça em torno dos 4 a 5 por cento.

“Os investimentos em infra-estrutura dos países em desenvolvimento vão continuar, estou bastante otimista com a indústria do aço”, disse Mittal, que prevê crescimento anual de 20 por cento para a ArcelorMittal no mundo até 2012, quando pretende produzir 130 milhões de toneladas de aço por ano, quase o dobro da produção atual.

Mittal disse ainda que as negociações sobre o preço do minério de ferro para 2008 ainda não começaram, e por isso ele ainda não sabe se haverá aumento expressivo no valor em 2008.

“Tenho lido nos jornais algo em torno de 25 a 35 por cento, mas não quero fazer estimativas, a China é que vai determinar... a única coisa que posso dizer é que certamente terá aumento do preço do minério de ferro, e como produtor siderúrgico espero que seja o mais baixo possível”, brincou.

A ArcelorMittal é o maior comprador individual da brasileira Vale.

Ele comentou que, enquanto a indústria siderúrgica está em pleno processo de consolidação, no setor de mineração apenas três grandes players dominam as vendas, o que traz desequilíbrio a mercado, e que isso poderá se agravar se a fusão entre BHP e Rio Tinto for concluída.

“Por enquanto essa fusão não foi concluída, estamos no meio do debate, mas claramente será um novo desafio para as siderúrgicas.”

Ele disse que não pretende fazer aquisições ambiciosas no mundo.

Mittal afirmou também que pretende levar para os novos projetos a experiência ambiental da ArcelorMittal Brasil.

“A ArcelorMittal Brasil representa a abordagem empresarial e a filosofia que tentamos construir em nossas fábricas no mundo inteiro.”

Edição de Roberto Samora

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