ANÁLISE-EUA preocupam mas não devem ofuscar Bovespa em 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008 17:45 BRST
 

Por Daniela Machado e Cláudia Pires

SÃO PAULO (Reuters) - A vacilante economia norte-americana não vai tirar o brilho do mercado acionário brasileiro em 2008. É nisso que apostam, no momento, os analistas que prevêem valorização significativa da Bolsa de Valores de São Paulo.

Para os mais otimistas, o crescimento sustentado pela demanda interna ajuda o país a se diferenciar no momento de turbulência externa.

O Merrill Lynch estima retorno de 26 por cento, em moeda local, do mercado acionário da América Latina neste ano. Os destaques seriam Brasil, com ganho de 28 por cento, e México, com alta de 23 por cento.

"Liquidez em alta e crescimento em baixa definem o ambiente global, formando o segundo melhor cenário possível para a América Latina em comparação ao primeiro trimestre de 2007", avaliou a instituição em relatório desta semana.

"Na média, definimos o cenário global como positivo para a região: com crescimento global de 4,8 por cento ou de 5,6 por cento sem considerar os EUA, liquidez para mercados emergentes, a perspectiva de alta de commodities preservada e forte crescimento na China."

O analista Hamilton Moreira Alves, do BB Investimentos, não acredita em alta consistente da Bolsa de Valores de São Paulo no curto prazo, mas prevê ganho de 30 por cento até o final do ano --quando o Ibovespa estaria em 83 mil pontos, frente à faixa de 59 mil desta terça-feira.

"Para a bolsa se firmar, só a partir de abril ou maio. Até lá, a gente precifica toda essa reversão norte-americana", afirmou.

"Passado este primeiro semestre de preocupação com os EUA, o segundo semestre traz a perspectiva de investiment grade para o Brasil e tem também a taxa de juros" atrativa em comparação com outras economias.   Continuação...