PANORAMA2-Mercado reage a possível corte de juro nos EUA na 4a

segunda-feira, 29 de outubro de 2007 18:23 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 29 de outubro (Reuters) - A expectativa de um novo corte dos juros nos Estados Unidos alimentou o otimismo do mercado brasileiro nesta segunda-feira, com recorde na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e nova queda do dólar.

Após reduzir a taxa básica de juro em 0,5 ponto percentual em setembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) anuncia na quarta-feira se repete a dose, preocupado com uma possível recessão nos Estados Unidos, ou se prefere manter a cautela ante pressões inflacionárias.

E a segunda-feira, pobre em dados econômicos, foi propícia para a especulação em torno da reunião do Fomc. "As pessoas estão antecipando uma redução do juro na quarta-feira, e há a especulação de que o Fed possa cortar a taxa em 0,5 ponto percentual", disse Ryan Detrick, estrategista técnico da Schaeffer's Investment Research, em Cincinnati.

Quando os Estados Unidos reduzem os juros, cai também a remuneração recebida pelos proprietários de títulos do Tesouro norte-americano. Assim, aumenta a procura no mercado por ativos mais arriscados e de maior rendimento, como ações e títulos de países emergentes --como o Brasil.

Esse movimento favoreceu as bolsas de valores. Nos Estados Unidos, os principais índices voltaram a subir, e no Brasil a Bovespa galgou os 65 mil pontos e bateu novo recorde histórico, com alta de pouco mais de 1 por cento.

As ações do setor de energia em Wall Street foram impulsionadas também pelo recorde do petróleo, que fechou acima de 93 dólares por barril em Nova York.

A expectativa sobre o juro norte-americano afetou também o dólar, mas para o lado negativo, já que o corte do juro diminui a demanda por papéis norte-americanos. O euro EUR= atingiu outra máxima histórica, o dólar canadense chegou ao maior nível em 47 anos e o real brasileiro registrou nova mínima em sete anos e meio, agora no patamar de 1,75 real.

A queda do dólar influenciou o mercado de juros futuros no Brasil, ao lado da menor expectativa de inflação em 2007 e da agenda econômica esvaziada. A maioria dos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou em queda, com concentração de negócios para as projeções do final de 2008 e de 2009.   Continuação...