January 30, 2008 / 3:32 PM / 9 years ago

ATUALIZA-Indústria de carne do Brasil acusa UE de protecionismo

6 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações e declarações)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 30 de janeiro (Reuters) - A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) classificou a decisão da União Européia de barrar as importações de carne bovina do Brasil de protecionista, argumentando que as novas regras do bloco europeu inviabilizam a definição das propriedades nacionais aptas a exportar, na medida em que reduzem muito o número de fazendas habilitadas.

"Paciência, o que nós vamos fazer? Não quer comprar, não compra... Eles (europeus) fizeram essa proposta como quem diz assim: 'vamos fazer uma proposta inviável e aí bloqueamos'", afirmou à Reuters o presidente da Abiec, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, por telefone.

"É uma medida puramente protecionista, não tem nada a ver com sanidade, nem com coisa nenhuma", acrescentou ele.

O comissário de Saúde da União Européia, Markos Kyprianou, afirmou nesta terça-feira que, pelo fato de o governo do Brasil ter enviado uma lista com um número maior do que o esperado de propriedades para serem autorizadas a exportar à UE, os técnicos da Comissão Européia levarão mais tempo para habilitar todas elas.

Segundo ele, até o momento nenhuma propriedade está autorizada, o que vai impedir as exportações a partir da quinta-feira, quando entram em vigor as novas regras.

O Ministério da Agricultura repassou à UE na terça-feira uma lista com cerca de 2.600 propriedades que estariam aptas a fornecer gado para a produção de carne a ser destinada aos europeus. Mas a UE esperava receber uma lista com apenas 300 propriedades aprovadas previamente [ID:nN30445510].

A UE importou no ano passado 543,5 mil toneladas de carne do Brasil, ou 21 por cento do total exportado pelo país. Além disso, os europeus, por pagarem mais pelo produto nacional, responderam pela maior parcela de divisas obtidas pelo setor no ano passado, 1,4 bilhão de dólares, contra exportações totais de 4,42 bilhões de dólares.

De acordo com Pratini, os europeus "não podem ficar impondo (aquelas regras) a um país que tem 5 milhões de propriedades agrícolas, das quais pelo menos 3 milhões com pelo menos uma vaca para fornecer leite, e mais de 100 mil propriedades com grandes produtores de gado".

"Como administrar 300 propriedades?", questionou Pratini, sobre a limitação imposta pelos europeus previamente.

O presidente da Abiec afirmou ainda que as novas regras, na verdade, visam beneficiar produtores de carne europeus como os irlandeses, que segundo ele estão sendo afetados pela competitividade brasileira.

Os produtores irlandeses argumentam que o Brasil vende carne mais barata porque não segue os mesmos padrões exigidos na Europa.

"(Essa medida) é para aumentar o preço da carne para os irlandeses", completou Pratini, ex-ministro da Agricultura, lembrando que a redução das exportações brasileiras deverá reduzir a oferta de carne no mercado europeu.

Exportador Vai Remanejar

Os dois maiores processadores de carne bovina do Brasil, JBS (JBSS3.SA) e Marfrig MRFG3.SA, informaram que irão redirecionar a carne antes enviada à UE para outros países e para o mercado local, que está em expansão.

As empresas informaram também que irão exportar para a UE a partir de suas unidades no exterior, como na Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Austrália.

"O JBS acredita que outros países absorverão parte do volume que seria destinado para a Europa e que o excedente será destinado ao mercado interno", informou em comunicado a empresa com maior capacidade de abate no mundo, lembrando que já considerava em seu "guidence" a redução de vendas do Brasil para a UE em função das novas regras.

"Os preços na Europa devem subir consideravelmente, beneficiando a produção da JBS na Argentina, Austrália e EUA. Na Argentina há cotas de exportação de carnes, o que deve manter os preços do gado estáveis, porém elevar o preço da carne exportada", acrescentou a assessoria de imprensa do JBS.

Segundo os frigoríficos, o volume a ser exportado de carne industrializada deve subir, pois não sofre qualquer tipo de restrição da UE.

Já o Marfrig informou em comunicado ao mercado que, se confirmadas as notícias, vai direcionar a sua produção de carne in natura de suas nove unidades de abate no Brasil para "outros destinos que não para a União Européia enquanto perdurar a restrição", além do mercado brasileiro.

O frigorífico, que possui nove unidades na Argentina e Uruguai, ao mesmo tempo, informou ainda que vai trabalhar com "plena capacidade" nas fábricas localizadas nesses países para exportar à UE.

A empresa prevê "haver melhoria de resultados (na Argentina e Uruguai) em função da maior demanda por exportações originadas desses dois países para a Europa".

Por volta das 13h20, as ações do JBS caíam 3,4 por cento e as do Marfrig recuavam 0,9 por cento na Bovespa, enquanto o índice geral da bolsa caía 0,5 por cento.

Edição de Marcelo Teixeira

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