Cristina Kirchner avalia elevar taxas sobre exportação de grãos

terça-feira, 30 de outubro de 2007 15:16 BRST
 

Por César Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - A presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, começou na terça-feira a trabalhar na transição de governo, e já avalia, junto com o marido, o atual presidente Néstor Kirchner, aumentar os impostos sobre as exportações de grãos para reforçar a receita fiscal.

A medida, informada à Reuters por uma fonte do governo, atingiria as exportações de soja, trigo e milho, três das principais fontes de receita no país, que por sua vez é um dos protagonistas do mercado mundial de matéria-prima agrícola.

"Há uma análise sobre a possibilidade de fazer algum ajuste (nos impostos sobre as exportações). Se ficar decidido, será preciso aproveitar o bom momento dos preços internacionais para não afetar a rentabilidade dos setores afetados", disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

As exportações de grãos já estão bastante taxadas na Argentina, dentro da estratégia do governo Kirchner de agregar às receitas fiscais boa parte do lucro extraordinário do setor devido à alta dos preços no mercado internacional.

O jornal La Nación afirmou que o governo planeja um aumento de entre 5 e 10 por cento nos impostos. Atualmente, os impostos sobre as exportações são de 27,5 por cento para a soja -- o grão que mais gera divisas para o país -- e de 20 por cento para o trigo e o milho.

Os três grãos estão com preços em recordes históricos nos mercados globais.

Cristina, que conseguiu quase 45 por cento dos votos na eleição do último domingo, toma posse no dia 10 de dezembro, para um mandato que vai até 2011. A aliança governista controlará as duas casas do Congresso e quase todas as províncias.

A possível alta nos impostos pode ser encarada como parte das mudanças na política econômica exigidas pelos mercados, depois de meses de aceleração dos gastos públicos e de um relaxamento no arrocho fiscal.

A expectativa dos analistas é que a Argentina volte a registrar este ano um superávit primário de cerca de 3 por cento do PIB.

 
<p>Homem passa por p&ocirc;ster de Cristina Kirchner em Buenos Aires, 26 de outubro. A presidente eleita da Argentina, Cristina Fern&aacute;ndez de Kirchner, come&ccedil;ou na ter&ccedil;a-feira a trabalhar na transi&ccedil;&atilde;o de governo, e j&aacute; avalia aumentar os impostos sobre as exporta&ccedil;&otilde;es de gr&atilde;os. Photo by Marcos Brindicci</p>