CÂMBIO-Fluxo provoca queda do dólar, mas cautela diminui ritmo

terça-feira, 30 de outubro de 2007 16:14 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 30 de outubro (Reuters) - A entrada de recursos no país voltou a determinar a queda do dólar nesta terça-feira, mas a cautela internacional antes da decisão sobre a taxa básica de juro nos Estados Unidos diminuiu a velocidade do recuo.

A moeda norte-americana BRBY caiu 0,17 por cento, para 1,753 real. A queda foi suficiente para que o dólar fechasse no menor valor em sete anos e meio, mas foi menor que a registrada nas últimas três sessões --na sexta-feira, a baixa chegou a 1,45 por cento.

À medida que se aproxima a decisão do Federal Reserve sobre o juro norte-americano, diminui a segurança dos investidores em um novo corte da taxa básica dos Estados Unidos--atualmente em 4,75 por cento ao ano.

Ao contrário da véspera, quando os operadores reforçavam as apostas em nova redução, a incerteza conteve os negócios e ajudou o dólar a recuperar terreno ante as principais moedas no exterior.

"O mercado segue em clima de cautela. Lá fora está realizando um pouco (de lucros), e aqui o mercado também está tirando um pouco o pé do acelerador e esperando. Todo mundo está tentando achar uma pista do que vai ser o resultado da reunião do Fed, se vai vir 0,25 (ponto percentual de corte) ou nada (manutenção)", disse Luiz Pizani, operador de câmbio da corretora Liquidez.

O anúncio da decisão, porém, está agendado para as 16h15 (horário de Brasília) de quarta-feira --ou seja, após o fechamento do mercado de câmbio. Por isso, agentes de mercado esperam que a cautela predomine ainda na próxima sessão.

Mas, mesmo em ritmo mais lento, o mercado de câmbio passou boa parte do dia em terreno negativo. "A entrada de recursos continua bastante positiva, via bolsa e via exportações", comentou o operador.

A queda só não foi maior porque, além da cautela, o dólar encontrou uma resistência técnica no patamar de 1,750 real. "O mercado de câmbio está tentando furar o 1,75 real, que é um ponto importante. Deve ter algumas (operações de) opções, algumas barreiras, e o pessoal fica tentando forçar esse 1,75. E tem gente tentando defender", disse.

O piso informal está ameaçado, no entanto, pela disputa pela formação da última Ptax (taxa média do dólar) de outubro, que será definida na próxima sessão. Segundo Pizani, "hoje o pessoal estava preparando o cenário para amanhã", e muitos agentes estão com posição vendida em dólar --apostando na valorização do real.

A última Ptax de cada mês é usada para a liquidação de contratos futuros.