July 30, 2008 / 2:05 PM / 9 years ago

Brasil tem resultado fiscal recorde no 1o semestre

3 Min, DE LEITURA

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O superávit primário registrado pelo setor público brasileiro caiu em junho frente ao mesmo período do ano passado, mas a economia acumulada no primeiro semestre, de 86,116 bilhões de reais, foi recorde.

Ainda assim, a cifra não foi suficiente para cobrir os vencimentos de juros do semestre, também os mais elevados da série do Banco Central, iniciada em 1991, e o país encerrou o período com déficit nominal de 1,910 bilhão de reais.

Foi o menor saldo negativo da história, segundo os dados divulgados pelo BC nesta quarta-feira.

Apenas em junho, o superávit primário --diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo gastos com juros-- foi de 11,166 bilhões de reais, pouco abaixo dos 11,647 bilhões de reais obtidos em igual período do ano passado e frente a um saldo positivo de 13,207 bilhões de reais em maio.

"Para o restante do ano, nossa expectativa é de que o resultado vá gravitar em torno desse saldo", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Ele destacou que os municípios têm restrições para gastar no segundo semestre por causa do calendário eleitoral e que há também expectativa de redução dos repasses de dividendos pelas estatais.

Em 12 meses encerrados em junho, o superávit primário foi equivalente a 4,27 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,34 por cento do PIB em 12 meses até maio.

A meta oficial para o ano equivale a 3,8 por cento do PIB, mas o governo também se comprometeu a realizar um esforço adicional de 0,5 ponto percentual do PIB para alimentar o fundo soberano que ainda será criado.

INFLAÇÃO AFETA JUROS

O crescimento da economia tem favorecido a elevação da arrecadação de tributos pelo governo, o que contribui para os superávits primários elevados.

Já a elevação dos vencimentos de juros é resultado da depreciação do dólar frente ao real, uma vez que o setor público é atualmente ativo em câmbio, e também da escalada da inflação e de uma base de endividamento maior, afirmou Lopes.

Em junho, 22,8 por cento da dívida do governo federal era corrigida pelo IPCA, frente a 18,4 por cento há um ano. O índice registrou alta de 0,74 por cento no mês passado, ante aumento de 0,28 por cento no mesmo mês de 2007.

O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou em 40,4 por cento do PIB no mês passado, frente a 40,6 por cento em maio. A expectativa é de que a relação fique estável em julho e feche o ano em 40,5 por cento.

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