30 de Novembro de 2007 / às 17:35 / 10 anos atrás

Nova visão de taxa de retorno aguça disputa no leilão do Madeira

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O remanejamento de capital da renda fixa para ativos reais, diante da expectativa de que os juros continuem a cair na esteira do grau de investimento que se espera para o Brasil em 2008, derrubou a taxa de retorno exigida em investimentos diretos.

Essa nova visão do investidor será fator preponderante na disputa pela concessão da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), projeto de 9,5 bilhões de reais.

Executivo que participa de um dos cinco grupos interessados relatou à Reuters que a batalha de lances no leilão de 10 de dezembro tende a derrubar a taxa de retorno do investimento a até 8 por cento.

Tradicionalmente, observou a fonte, que falou sob a condição de não ser identificada, o setor elétrico demanda taxa de retorno de 15 por cento.

Essa flexibilidade dos investidores terá como resultado a pressão sobre o preço máximo de 122 reais o megawatt hora (MWh) estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A avaliação dessa fonte é que o MWh possa ficar abaixo dos 100 reais a que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chegou a fazer referência e que ele considera “equilibrado”.

Na corrida pelo preço certo --e a vitória--, o primeiro lance do leilão será crucial. Ficará fora do negócio o investidor que fizer proposta 5 por cento acima do menor lance por MWh. “O risco é o franco atirador”, alertou a fonte.

O temor dos grandes grupos investidores envolvidos no leilão da obra considerada prioridade do setor elétrico no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é o papel que desempenhará a estatal Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás.

A estratégia da única empresa a ter-se inscrito sozinha para o leilão foi motivo, ao longo desta semana, de inquietação nos concorrentes, segundo relatos feitos à Reuters. Nesta sexta-feira, os consórcios devem fazer o depósito de garantia de 95 milhões de reais para participar do leilão.

Embora o Ministério de Minas e Energia negue que tenha sido uma política de governo o ingresso isolado da Eletronorte (ela chegou a negociar com um dos consórcios), investidores privados receiam que a estatal atue pressionando para baixo o preço. Há precedente, já que Furnas, ao arrematar a usina de Simplício (RJ), aceitou taxa de retorno inferior a 8 por cento.

FLUXO DE CAPITAL

Para esse leilão, o governo agiu no sentido de garantir condições específicas que vão favorecer o preço mais baixo da energia, admitiu a fonte do consórcio. A taxa de energia assegurada da usina de Santo Antônio é elevada (70 por cento em relação à capacidade), o projeto tem isenção de PIS e Cofins, além de benefício fiscal da área da Sudam e financiamento de até 75 por cento da obra pelo BNDES.

Mas as condições macroeconômicas constituem o pano de fundo da movimentação dos investidores. Cerca de 28 bilhões de dólares devem migrar de fundos de renda fixa para ativos reais, incluindo ações, em quatro anos, na avaliação do estrategista de renda variável para América Latina da Merrill Lynch, Pedro Martins.

O cenário que provoca esse fluxo de fundos é a queda da curva de juros. A previsão da Merrill Lynch é que o país receba o grau de investimento no segundo semestre de 2008, o que levará a redução do risco-país, refletindo-se no juro de longo prazo.

Entre as variáveis econômicas usadas no plano de negócios para o leilão da hidrelétrica, uma aposta mais ousada no grau de investimento do país dá margem de ação maior aos consórcios.

O leilão das rodovias federais de outubro, que surpreendeu por deságio de até 65 por cento proposto pela principal vencedora, a subsidiária brasileira da espanhola OHL, é tratado como um divisor de águas.

O leilão estabeleceu taxa de retorno muito abaixo do limite de 8,95 por cento determinado pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) no edital, o que foi amplamente reconhecido como uma vitória do governo federal. “Isso se tornou uma nova referência para o investidor”, disse o executivo do consórcio que disputa a usina do Madeira.

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