Nova visão de taxa de retorno aguça disputa no leilão do Madeira

sexta-feira, 30 de novembro de 2007 16:46 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O remanejamento de capital da renda fixa para ativos reais, diante da expectativa de que os juros continuem a cair na esteira do grau de investimento que se espera para o Brasil em 2008, derrubou a taxa de retorno exigida em investimentos diretos.

Essa nova visão do investidor será fator preponderante na disputa pela concessão da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), projeto de 9,5 bilhões de reais.

Executivo que participa de um dos cinco grupos interessados relatou à Reuters que a batalha de lances no leilão de 10 de dezembro tende a derrubar a taxa de retorno do investimento a até 8 por cento.

Tradicionalmente, observou a fonte, que falou sob a condição de não ser identificada, o setor elétrico demanda taxa de retorno de 15 por cento.

Essa flexibilidade dos investidores terá como resultado a pressão sobre o preço máximo de 122 reais o megawatt hora (MWh) estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A avaliação dessa fonte é que o MWh possa ficar abaixo dos 100 reais a que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chegou a fazer referência e que ele considera "equilibrado".

Na corrida pelo preço certo --e a vitória--, o primeiro lance do leilão será crucial. Ficará fora do negócio o investidor que fizer proposta 5 por cento acima do menor lance por MWh. "O risco é o franco atirador", alertou a fonte.

O temor dos grandes grupos investidores envolvidos no leilão da obra considerada prioridade do setor elétrico no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é o papel que desempenhará a estatal Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás.   Continuação...