November 30, 2007 / 6:16 PM / 10 years ago

CONSOLIDA-PETROBRAS, BRASKEM e UNIPAR redefinem petroquímica

8 Min, DE LEITURA

Por Denise Luna e Cesar Bianconi

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 30 de novembro (Reuters) - Petrobras, Braskem e Unipar definiram nesta sexta-feira, com um complexo processo de movimentação de ativos, a consolidação de todo o setor petroquímico brasileiro, que passará a contar em alguns meses com duas grandes empresas onde a estatal terá participações.

Em um segundo momento, o BNDES também poderá entrar na estrutura acionária de uma das companhias.

O objetivo, segundo os agentes envolvidos, é aumentar a escala de produção em um segmento que por anos se viu impedido de crescer devido a um emaranhado societário que dificultava as decisões.

A Braskem BRKM5.SA, maior petroquímica da América Latina, ganhou a Petrobras (PETR4.SA) como sócia minoritária relevante, com 25 por cento do capital total, e os ativos petroquímicos da região Sudeste, capitaneados pela Unipar, foram reunidos em uma empresa ainda sem nome onde a Petrobras terá 40 por cento, e que deverá ter o seu capital aberto.

A consolidação não incluiu, no primeiro momento, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), ainda em fase de construção, e que será objeto de futura negociação, segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

"Já tínhamos revisto a nossa estratégia há alguns anos. O setor exige empresas de grande porte e maior integração de toda a cadeia fornecedora", afirmou Gabrielli a jornalistas.

"Teremos 25 por cento da maior companhia petroquímica do país (Braskem) e 40 por cento da segunda maior", complementou, acrescentando que não teme problemas com órgãos de defesa da concorrência. "Não tem conflilto. Não somos controladores de nenhuma delas", afirmou.

A participação da Unipar, de 60 por cento da nova empresa, assim como a fatia da Petrobras, poderão ser alteradas, explicou Gabrielli, se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) exercer o direito de preferência sobre sua participação na Riopol, empresa que ficou dentro da nova companhia do Sudeste e que vai desaparecer com a integração.

O BNDES, por meio da BNDESPar, possui 16,7 por cento na Riopol, fabricante de polietilenos, e ficaria com 25 por cento se o direito de preferência na operação de integração for exercido. Isto daria ao banco cerca de 6 por cento de participação na nova companhia do Sudeste.

"Se isso ocorrer, Petrobras e Unipar terão uma participação um pouco menor, mas não existe risco de se somarem as ações do BNDES e da Petrobras e ter mais de 50 por cento. A empresa futura vai ser privada", garantiu Gabrielli.

A nova companhia do Sudeste vai nascer com receita líquida de 6,1 bilhões de reais e lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações, conhecida pela sigla em inglês Ebitda, de 900 milhões de reais.

Já a parceria entre Petrobras e Braskem, que receberá os ativos petroquímicos da Petrobras no Sul e Nordeste do país, terá receita líquida de 9,1 bilhões de dólares e Ebitda de 1,7 bilhão de dólares, informou o executivo.

De acordo com fato relevante nesta sexta-feira, a Petrobras e sua subsidiária Petroquisa estão transferindo suas participações na Copesul, na Ipiranga Petroquímica, na Ipiranga Química, na Triunfo e na Petroquímica Paulínia, que serão integradas pela Braskem.

Como pagamento, a Petrobras receberá ações da Braskem, elevando sua posição no capital total da empresa de 6,8 por cento para 25 por cento, excluindo-se as ações em tesouraria. A fatia da estatal nas ações com direito a voto da Braskem sobe de 8,1 por cento para 30 por cento.

A Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht, espera ter sinergias de 1,15 bilhão de dólares como resultado da integração dos ativos, em valor presente líquido.

Mais Competitivas

"Essa etapa determinante do processo de consolidação da petroquímica brasileira posiciona a Braskem como um competidor destacado na petroquímica global e com forte capacidade de geração de caixa, que vai permitir acelerar seus projetos de crescimento e de internacionalização", afirmou em comunicado o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich.

A conclusão da operação deverá ocorrer em até 6 meses e resultará na emissão de 103,4 milhões de novas ações da Braskem, sendo 46,9 milhões de ações ordinárias e 56,5 milhões de ações preferenciais.

Grubisich ressaltou a jornalistas a questão do ganho em competitividade, tanto por parte da Braskem como pela nova companhia do Sudeste.

"O projeto da Braskem não é de competir com a companhia petroquímica do Sudeste aqui. Os nossos competidores eram e continuam sendo ExxonMobil, Dow... porque a lógica do mercado petroquímico hoje é uma lógica global", afirmou.

José Lima de Andrade Neto, presidente da Petroquisa, subsidiária da Petrobrás, disse que havia chegado o momento da mudança no setor.

"A petroquímica brasileira passou por um processo de fragmentação. Teve sua lógica, teve sua importância histórica... mas a fragmentação não condiz mais com o cenário atual da indústria", disse Andrade Neto.

A finalização da integração no Sudeste deverá demorar nove meses e envolve, além de trocas acionárias, a devolução de 700 milhões de reais pela Unipar à Petrobras por conta do pagamento realizado nesta sexta-feira de 2,1 bilhões de reais pela compra da Suzano Petroquímica pela estatal, no início do ano.

Para formar a nova companhia, a Petrobras entrará com sua participação acionária na Suzano Petroquímica (97,3 milhões de ações ordinárias e 75,2 milhões de preferenciais) e com a participação na Petroquímica União (PQU), detida por sua subsidiária Petroquisa (8,7 milhões de ações ordinárias e 8,7 milhões de preferenciais).

A Unipar vai contribuir para a nova sociedade com 380 milhões de reais a serem utilizados na aquisição das seguintes participações na Riopol: 211,9 milhões ações ordinárias e 48 preferenciais de titularidade da Petroquisa e 203,2 milhões de ações ordinárias e 46 preferenciais de titularidade da Suzano.

Ela também vai incluir suas participações na Rio Polímeros, na Petroquímica União, na Unipar Divisão Química e na Polietilenos União.

Colaboraram Marcelo Teixeira e Alice Assunção

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