Gastos do consumidor enfraquecem nos EUA; construção tem queda

sexta-feira, 30 de novembro de 2007 16:41 BRST
 

Por Joanne Morrison

WASHINGTON (Reuters) - As despesas do consumidor norte-americano tiveram uma alta inesperadamente pequena, de 0,2 por cento, no mês passado, enquanto os gastos em construção caíram, segundo relatórios divulgados nesta sexta-feira que levantaram preocupações com a saúde da economia.

Ao mesmo tempo em que os gastos pessoais subiram levemente, o Departamento de Comércio informou que os preços para o consumidor subiram mais, 0,3 por cento, deixando os gastos corrigidos com a inflação estáveis em outubro depois de uma leve alta de 0,1 por cento em setembro.

"Você está vendo um sinal muito baixo para o quarto trimestre, particularmente com atenção para os gastos do consumidor", disse Carey Leahey, diretor gerencial sênior na Decision Economics em Nova York. "Esta é outra razão para o Fed cortar a taxa de juro."

O Departamento de Comércio informou também, num segundo relatório, que os gastos com construção caíram 0,8 por cento à medida que as construtoras imobiliárias continuam enfraquecidas. A queda foi a maior desde julho e trouxe os gastos com construção para uma taxa anual de 1,158 trilhão de dólares, a menor em dois anos.

O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse na noite da quinta-feira que o aperto no mercado de crédito pode desacelerar a economia e alertou que os gastos do consumo podem vacilar. Muitos economistas viram nesses comentários um sinal de que o Fed, que cortou o juro em 0,75 ponto percentual desde meados de setembro, estaria disposto a continuar reduzindo a taxa.

"Eu espero que a renda e os gastos das famílias continuem a crescer, mas a combinação dos altos preços dos combustíveis, o fraco setor imobiliário, a condição apertada do crédito, e a queda nos preços das ações podem criar um obstáculo para os consumidores nos próximos meses", disse Bernanke.

O Departamento de Comércio informou que os preços para o consumidor medido pelo índice de preços de gastos com consumo (PCE) registrou alta de 0,3 por cento. O núcleo do PCE, que exclui da conta os alimentos e energia, subiu 0,2 por cento.

No último ano, o núcleo do PCE subiu 1,9 por cento, o mesmo que os últimos 12 meses até setembro, dentro de uma faixa considerada pelas autoridades do Fed como aceitável. Isto pode ajudar algumas autoridades do Fed a deixar de lado as preocupações com a inflação e apoiar um corte na taxa de juro.   Continuação...