Petrobras ajusta querosene de aviação em 6,6%

quarta-feira, 30 de abril de 2008 12:45 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto aguarda uma decisão sobre um aumento dos preços da gasolina e do diesel, responsáveis por cerca de 60 por cento da sua receita, a Petrobras vai ajustar o querosene de aviação em 6,6 por cento, impactando os preços das passagens aéreas a partir de 1o de maio.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), o preço dos combustíveis já representa alta de 19,97 por cento no ano para as companhias até maio, contra aumento de 12,6 por cento em todo o ano de 2007.

"O peso do combustível para as empresas representa entre 35 e 40 por cento do custo", informou a assessoria do Snea.

O preço do querosene de aviação é ajustado por fórmula em contratos com os clientes, assim como outros produtos da empresa como a nafta, óleo combustível e gás natural.

A Petrobras esperava também aumentar entre 5 e 7 por cento o preço da gasolina e do diesel, que estão congelados desde setembro de 2005, mas em reunião com o governo na noite de terça-feira a decisão ficou para uma próxima reunião.

A estatal vai divulgar seu resultado do primeiro trimestre --afetado por problemas com plataformas que reduziram sua produção-- no próximo dia 12, quando os analistas esperam constatar o reflexo da manutenção de preços nos números da companhia, um contraponto diante dos recordes que o petróleo vem registrando no mercado internacional nos últimos meses.

A disparada do petróleo, que ultrapassou os 100 dólares em fevereiro e chegou a custar mais de 120 dólares, vem impulsionando o lucro de empresas petrolíferas em todo o mundo.

Por volta das 12h40, as ações preferenciais da Petrobras caíam 0,1 por cento, depois de terem aberto em alta devido ao aumento do preço do petróleo. O Ibovespa operava em alta de 1,32 por cento.

Analistas ouvidos pela Reuters na segunda-feira disseram acreditar que os papéis da empresa sofreriam no médio prazo se a estatal continuar com preços dos seus principais produtos congelados. Segundo eles, a defasagem de preços da empresa ultrapassa os 20 por cento.

(Reportagem de Denise Luna)