Governo da Venezuela agride jornalistas, diz órgão de imprensa

domingo, 30 de março de 2008 15:20 BRT
 

CARACAS (Reuters) - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) acusou no sabádo o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de agredir jornalistas, atacar meios de comunicação privados e negar o acesso à informação oficial.

A SIP, que representa os maiores jornais da América Latina e é acusada pelo governo de Chávez de mentir, disse, na sexta-feira, em uma reunião em Caracas, que a liberdade de imprensa não melhorou na região nos últimos seis meses.

Reconheceu, porém, que houve avanços nas questões legais, mas ainda assim marcados pela violência e o assédio contra os véiculos e os jornalistas.

Para se contrapor à reunião semestral da SIP, o governo venezuelano organizou um fórum que criticou os donos de meios de comunicação e propôs a criação de uma associação de jornalistas socialistas para vigiá-los.

"É Chávez quem dirige os ataques aos véiculos, os ataques contra a liberdade de expressão e os ataques contra os jornalistas", disse David Natera, vice-presidente regional da SIP e editor do jornal venezuelano Correio de Caroní, ao finalizar a apresentação do comunicado da Venezuela.

A SIP também denunciou as persistentes falhas na entrega de divisas para as importações de papel para os jornais venzuelanos, através de um controle de câmbio implementado por Chávez em 2003, para evitar uma fuga de capitais.

Além disso, Natera mencionou as restrições venezuelanas à divulgação de suas informações.

"Aos meios que não se submetem a sua hegemonia, o governo de Chávez nega reiteradamente o direito de acesso à informação pública e impede os jornalistas independentes de trabalharem com as fontes e cenários controlados pelos órgãos do Estado", acrescentou Natera.

O fechamento do canal opositor Radio Caracas Televisíon (RCTV), em 2007, e as ações judiciais contra o canal de notícias Globovisión também foram incluídos no informe da Venezuela.

Durante a reunião da SIP, simpatizantes do governo realizaram uma pitoresca marcha com apresentações de teatro contra a organização e deixaram pedaços de cérebro de vacas e porcos nas portas do edifício que sediou o encontro.

(Reportagem de Deisy Buitrago)