30 de Outubro de 2007 / às 17:22 / em 10 anos

ATUALIZA-Meirelles reforça cautela da ata e defende prudência

(Texto atualizado com comentários do presidente do BC sobre defasagem da política monetária e fundo soberano)

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 30 de outubro (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aproveitou uma apresentação no Congresso, nesta terça-feira, para reforçar o tom de cautela expresso pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao explicar a interrupção dos cortes da taxa básica de juro do país.

Meirelles frisou que, em suas decisões monetárias, os bancos centrais devem levar em conta a defasagem com que elas afetam a economia real. No caso brasileiro, movimentos nos juros adotados agora serão sentidos no segundo semestre do próximo ano e possivelmente até nos primeiros meses de 2009, disse.

Durante este período, a economia fica sujeita a outras influências e incertezas, frisou. "De vez em quando, bancos centrais devem tomar atitudes de prudência", acrescentou.

Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, os diretores do BC afirmaram que as incertezas associadas aos mecanismos de transmissão da política monetária e ao ritmo de crescimento da oferta e da demanda no país justificavam uma pausa no processo de flexibilização da política de juro.

No documento, os diretores destacaram que "a prudência passa a ter papel ainda mais importante" dentro do processo de estabilização dos preços, considerando a piora dos riscos que rondam a inflação.

Mas Meirelles ponderou, em depoimento a comissões no Congresso, que prudência "certamente não é o esgotamento do processo de normalização, de crescimento, de expansão da atividade produtiva da economia brasileira".

Na reunião de outubro, o Copom interrompeu um ciclo de dois anos de corte da taxa Selic. A decisão de manter o juro em 11,25 por cento ao ano foi tomada por unanimidade.

Ao ser questionado por parlamentares sobre o projeto do governo de criar um fundo soberano no país, Meirelles afirmou que o assunto ainda está em discussão.

Ele reafirmou que algumas das poucas definições já tomadas é que o fundo não será pago por reservas internacionais e que deverá ter uma estrutura de captação própria.

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