Enviados do Dalai Lama chegam à China para negociações

segunda-feira, 30 de junho de 2008 08:47 BRT
 

Por Abishek Madhukar

DHARAMSALA, Índia (Reuters) - Enviados do Dalai Lama chegaram à China na segunda-feira para se encontrar com o governo e discutir a questão do Tibete, informou o governo tibetano no exílio, em meio às pressões para que a China se abra ao diálogo às vésperas da Olimpíada.

As negociações, marcadas para os dias 1o e 2 de julho em Pequim, têm o objetivo de remendar os rachas com o Dalai Lama, exilado em 1959 depois de uma revolta fracassada contra o comando chinês no Tibete.

"A Sua Santidade, o Dalai Lama, instruiu seus enviados a fazer qualquer esforço para obter progressos tangíveis e aliviar a difícil situação dos tibetanos que vivem em sua terra", informou um comunicado do governo no exílio, sediado em Dharamsala, no norte da Índia.

A chegada dos enviados do Dalai Lama coincide com a visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, à China. Ela pressionou o ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, a avançar nas questões do Tibete e dos direitos humanos, dizendo que os norte-americanos se preocupam muito com esses assuntos.

O encontro acontece cerca de um mês antes dos Jogos Olímpicos em Pequim e em meio à grande preocupação do governo chinês acerca de sua imagem entre a comunidade internacional.

"É uma clara tentativa da China de garantir que a violência ocorrida no começo do ano não aconteça novamente durante a Olimpíada", disse Alka Acharya, que coordena estudos sobre o Leste da Ásia na Universidade de Jawaharlal Nehru, em Nova Délhi.

É a segunda vez que enviados do Dalai Lama se encontram com autoridades do governo chinês desde as revoltas e protestos contra o comando chinês no Tibete neste ano, o que levou a protestos internacionais que pressionam a China a dialogar com o líder espiritual exilado.

Desde então, o Tibete tornou-se motivo de protestos que interromperam o revezamento da tocha olímpica pelo mundo. Houve pedidos para que chefes de Estado boicotassem a cerimônia de abertura da Olimpíada, em 8 de agosto.

As autoridades chinesas se encontraram com os representantes do Dalai Lama no dia 4 de maio, mas o segundo encontro, que devia acontecer em junho, foi adiado devido ao terremoto que atingiu a China em maio, matando cerca de 70 mil pessoas.

O Dalai Lama diz querer autonomia para a região. Pequim condena a atitude "separatista". A China culpa o Dalai Lama pelas revoltas em março.