Mercado vê dólar abaixo de R$1,60 no curto prazo

segunda-feira, 30 de junho de 2008 16:21 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A queda global do dólar e o juro alto do Brasil devem manter a moeda norte-americana em queda no próximo mês diante do real, disseram agentes de mercado nesta segunda-feira, ratificando a tendência do câmbio após a quebra do piso de 1,60 real.

Em um horizonte mais longo, porém, fatores estruturais como a deterioração das contas externas do país e a possível alta do juro nos Estados Unidos podem ajudar a recolocar a moeda em um patamar mais elevado.

O dólar terminou o dia com variação positiva de 0,06 por cento, a 1,597 real. A moeda acumulou queda de 1,9 por cento em junho e de 10,1 por cento em todo o semestre.

"Ele realmente pode ir para 1,58 (real) e deve se sustentar abaixo de 1,60 (real) no curto prazo", disse Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para a América Latina do banco WestLB do Brasil. "É uma combinação de dólar ainda fraco nos Estados Unidos com o diferencial de juros do Brasil."

Nas últimas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central elevou a taxa básica de juro para esfriar a alta da inflação.

Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, explicou que, aumentando o juro, "fica mais rentável trazer dinheiro para renda fixa". A taxa Selic está atualmente em 12,25 por cento ao ano.

O combustível para a valorização do real, no entanto, deve durar algumas semanas. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, é um dos que aposta que o patamar de 1,60 real seja um "piso de sustentação para a moeda americana".

Padovani dá algumas justificativas para a sustentação do dólar no longo prazo. "Você deve ter um fortalecimento internacional do dólar", estimulado pelo aumento esperado para o segundo semestre no juro dos Estados Unidos, "e a conta corrente (do Brasil) começa a perder fôlego".   Continuação...