Juros podem subir se CPMF não for aprovada, diz Meirelles

terça-feira, 30 de outubro de 2007 14:06 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O juro no país pode subir, no longo prazo, caso a prorrogação da CPMF não seja aprovada no Senado e o governo não corte as despesas na mesma proporção, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em depoimento a comissões do Congresso nesta terça-feira.

"Se (a não aprovação da CPMF) levar a uma diminuição do superávit primário, isso vai significar que a dívida pública vai continuar a crescer e vai aumentar os juros a longo prazo. Não há impacto direto, depende de um conjunto de coisas", afirmou Meirelles a deputados e senadores, na Câmara.

O presidente do BC frisou que do ponto de vista da definição da política monetária, o relevante é que o cumprimento do superávit primário seja garantido. Mas alertou para os riscos de perda de receita.

"Se o setor público deixar de ter um fonte importante de receita, certamente isso terá impacto na despesa... isso certamente terá impacto para a sociedade", completou.

A proposta de prorrogação da CPMF até 2011, com alíquota de 0,38 por cento, já foi aprovada na Câmara e o governo enfrenta agora uma longa negociação com a oposição para conseguir aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) no Senado até dezembro.

A CPMF, conhecida como o imposto do cheque, rende anualmente cerca de 38 bilhões de reais aos cofres públicos.