Inflação e desaceleração afligem mundo industrializado

quarta-feira, 30 de abril de 2008 10:22 BRT
 

Por Brian Love

PARIS (Reuters) - A alta dos preços de alimentos, petróleo e matérias-primas forçou o banco central do Japão a triplicar nesta quarta-feira a previsão de inflação, mas o temor de uma desaceleração induzida pelos Estados Unidos também fez a autoridade monetária abandonar o discurso sobre uma possível elevação da taxa de juro.

Na Europa, onde as previsões de crescimento econômico na zona do euro foram reduzidas nesta semana, dados mostraram que a inflação caiu dos níveis recordes em abril, ainda que tenha continuado bem acima do nível de tolerância do Banco Central Europeu (BCE).

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve anunciar outra redução do juro apesar de um problema semelhante com a inflação. O banco central do país tenta impulsionar uma economia abalada pela crise imobiliária e pelo colapso do mercado de hipotecas de alto risco (subprime).

As notícias das três regiões salientam a questão sobre a presença de uma estagflação no mundo industrializado --crescimento mínimo ou nulo combinado com inflação alta.

JAPÃO, NÃO TÃO RÁPIDO

O Banco do Japão anunciou a manutenção do juro em 0,5 por cento e, mais destacadamente, escolheu não sinalizar a necessidade de uma elevação no longo prazo, abandonando uma rotina que já vinha há dois anos.

O Banco do Japão cortou a previsão de crescimento para o atual ano empresarial, que termina em março, de 2,1 para 1,5 por cento, e quase triplicou a projeção de inflação, de 0,4 para 1,1 por cento.

A autoridade monetária culpou principalmente o preço do petróleo, dos alimentos e de outras commodities, além do contágio da desaceleração norte-americana. A turbulência nos mercados financeiros pelo menos não teve um impacto tão grade na necessidade de financiamento das grandes empresas do Japão, apontou.   Continuação...