Juro de ACC para exportador de commodities sobe e afeta negócios

terça-feira, 30 de setembro de 2008 14:22 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 30 de setembro (Reuters) - Os exportadores de commodities agrícolas do Brasil viram os juros das operações de crédito atreladas ao fechamento de câmbio (ACC) darem um salto desde que a crise financeira global se acentuou, e isso tem atrapalhado os negócios e diminuído o apetite exportador, disseram executivos de tradings.

"Os juros que antes pagávamos para fazer ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio)... eram de 4,5 por cento. Na semana passada, teve um banco que falou... 'vocês têm que pagar 14,5 por cento ao ano'...", disse nesta terça-feira um exportador de café, que pediu para não ser identificado.

Além disso, afirmou a fonte, antes o prazo de pagamento do ACC era de seis meses, e agora os bancos estão querendo um prazo maior, de 360 dias, o que torna menos interessante a operação.

"Com isso, mandamos o banco procurar outro cliente mais desesperado, que não é o nosso caso", acrescentou o trader.

A fonte observou que, com a "torneira financeira fechando", os bancos "estão com a faca e o queijo na mão".

"Em incerteza financeira, os bancos sabem que a gente precisa do dinheiro para comprar o café, para honrar compromissos. Então eles apertam os juros demasiadamente para aumentar o lucro deles...", concluiu.

Procurada, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que iria encaminhar o teor das reclamações para análise por um diretor e eventualmente se pronunciaria.

Um segundo exportador de commodities agrícolas, que também quis ficar no anominato, destacou que na medida em que essas linhas de captação ficam mais caras, diminui "muito o apetite em ter mais ACC" e o interesse de exportar também cai.   Continuação...