30 de Setembro de 2008 / às 15:43 / 9 anos atrás

Chávez prevê impacto da crise no crescimento da América Latina

Por Fernando Exman

MANAUS, 30 de setembro (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na terça-feira que o desenvolvimento dos países latino-americanos pode ser afetado pela crise financeira internacional.

Em entrevista a jornalistas, concedida antes de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez disse que ninguém pode dizer que não será afetado pela crise, pois ainda não se sabe a sua real extensão.

"Os financiamentos vão ficar difíceis, o que pode afetar o crescimento e o impulso dos países da América Latina", declarou o presidente venezuelano.

"Os preços das matérias-primas poderão vir abaixo, começando pelo petróleo, passando pelo cobre, mineração e produtos alimentícios", acrescentou, referindo-se a alguns dos principais produtos de exportação da América Latina.

Chávez acusou a "irresponsabilidade" do governo americano e do fundamentalismo do mercado pela crise, que em sua opinião tem o poder de "100 furacões".

"Este crash do capitalismo e do neoliberalismo vai ser pior do que o de 1929. O mundo jamais voltará a ser o mesmo. Desta crise, terá de surgir um mundo novo, um mundo pluripolar", defendeu.

Para Chávez, a ascensão de líderes de esquerda na América Latina é positiva neste momento de crise.

"Estamos nos desenganchando do vagão da morte", disse ele em relação à economia norte-americana. "A única bolsa que cresceu ontem foi a de Caracas, porque está desconectada totalmente da bolsa de Nova York", ironizou.

Chávez ressaltou que os países da região devem partir para a ofensiva para minimizar o impacto da crise.

"Não podemos e não devemos perder um dia a mais na ativação do Banco do Sul", destacou, lamentando que o projeto passe por dificuldades técnicas e burocráticas.

A criação do Banco do Sul, que tem a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, foi anunciada há cerca de um ano em Buenos Aires.

Segundo Chávez, o Banco do Sul poderia garantir recursos para projetos de integração da região nesse momento de escassez de crédito.

Edição de Mair Pena Neto

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