Oposição tende a sair ainda mais enfraquecida das urnas

sexta-feira, 3 de outubro de 2008 17:20 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 3 de outubro (Reuters) - Longe do poder nacional há seis anos, a oposição no Brasil tende a sair menor das eleições municipais de domingo, o que poderia reduzir seu poder de fogo para a sucessão presidencial em 2010.

"Nos últimos dois anos, a oposição ficou sem pauta e já chegou a esta eleição muito fraca. Em 2005 e 2006, a oposição teve a bandeira do moralismo, da defesa da ética, que se esgotou em 2006 com a reeleição de Lula", endossou Alessandra Aldé, cientista política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A maior cartada da oposição estaria em São Paulo, mas questões internas do PSDB a deixaram dividida no primeiro turno. Por conta disso, apesar de o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que assumiu quando o tucano José Serra se candidatou ao governo do Estado, tentar a reeleição, o PSDB lançou Geraldo Alckmin na disputa.

As duas candidaturas fragmentaram o eleitorado e sinalizaram uma desunião com possíveis implicações para o futuro. A beneficiária imediata dessa divisão foi Marta Suplicy (PT), que está garantida no segundo turno.

Em Salvador, outra esperança oposicionista, ACM Neto (DEM) chegou a liderar boa parte da disputa, mas sua presença no segundo turno é incerta. A última pesquisa Datafolha apontou empate triplo entre ele, o prefeito João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), ambos de partidos da base aliada do governo.

Se for derrotada nessas frentes --tábua de salvação das duas principais legendas adversárias ao governo federal--, a oposição não só perde musculatura em termos reais, mas fica seriamente desidratada para a sucessão presidencial em dois anos.

"Quando acabar essa eleição, tudo vira 2010", disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

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