30 de Julho de 2008 / às 18:32 / 9 anos atrás

Expansão da Rio Tinto abre espaço para pólo siderúrgico em MS

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 30 de julho (Reuters) - A expansão da Rio Tinto (RIO.L) no Brasil, projeto que envolve investimentos de 2,15 bilhões de dólares para produzir 12,8 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de 2010, vai viabilizar a construção de um pólo siderúrgico em Corumbá (MS), informou o diretor financeiro e de recursos humanos da Rio Tinto Brasil, Aloísio Oliveira.

A logística era o maior desafio para a expansão da Rio Tinto no país, segundo Oliveira, mas a evolução do preço do minério e as boas perspectivas de demanda futura, puxada pela China, garantem a sustentabilidade do crescimento da empresa no Brasil, nesse e em outros projetos.

O projeto de Corumbá estava na gaveta desde o início desta década.

"Se o preço fosse o de cinco anos atrás não estaríamos aqui hoje", disse nesta quarta-feira Oliveira a jornalistas.

Na terça-feira, a empresa anunciou investimentos de 2,15 bilhões de dólares para expandir suas atividades em Mato Grosso do Sul. [ID:nN29328641]

Oliveira afirmou ainda que analisa áreas no Pará e na Bahia em busca de mais minério e bauxita, e que está aberto a todas as oportunidades que aparecerem.

A empresa, segunda maior mineradora do mundo e que busca se valorizar para evitar uma compra pela BHP (BLT.L), conseguiu este ano ajuste do minério maior do que a Vale, rompendo uma tradição de anos das mineradoras seguirem o mesmo índice do primeiro contrato fechado.

Ainda em fase de estudo de viabilidade por duas empresas, cujos nomes Oliveira ainda não pode revelar, o pólo siderúrgico de Mato Grosso do Sul poderá ter a adesão de mais três, informou.

O volume de aço a ser produzido vai definir o início da segunda fase da expansão da única mina da Rio no país, para 23,2 milhões de toneladas, informou o executivo.

A empresa já explorou ouro e níquel no Brasil, mas se desfez das minas entre 2003 e 2004 já que esses metais deixaram de ser foco da companhia. A mina de Corumbá foi adquirida do empresário Eike Batista.

Oliveira informou que os dois investidores internacionais já estão finalizando estudos de viabilidade, e que espera no mínimo produção de 1 milhão de toneladas de aço no local.

"O pólo terá muitos investidores e poderá tomar direções diversas (do tipo de produto), mas deve ser mais de 1 milhão de toneladas (por ano)", disse Oliveira, informando que já conversou com mais de dez investidores interessados no pólo.

DENTRO DO PRAZO

Ao contrário da Vale (VALE5.SA), que tem atraído parceiros siderúrgicos para dentro do país com a garantia de uma participação minoritária, a Rio Tinto não será sócia dos projetos siderúrgicos, mas terá contratos de longo prazo para a venda do minério.

"Por isso ainda não fechamos 100 por cento das exportações da expansão, porque parte poderá ir para o pólo", explicou, afirmando, no entanto, que alguns contratos já estão garantidos a partir de 2010, para mercados como Europa e Oriente Médio, quando a primeira fase da expansão, para 12,8 milhões de toneladas, terá sido concluída.

Ele estimou que a licença ambiental prévia para a primeira fase será concedida em agosto, tanto para a mina como para a logística. As licenças de instalação e de operação estão sendo aguardadas para o primeiro trimestre de 2009.

Para aumentar em seis vezes as vendas de minério de ferro a partir do Brasil, a Rio Tinto terá que elevar o número de barcaças que transportam a commodity da companhia pelo rio Paraguai até o Uruguai, de onde é exportado, de 134 para cerca de 280.

O número de barcos empurradores também terá que crescer e a construção deles poderá ser feita no Brasil, se houver espaço nos estaleiros, disse Oliveira, e dependendo do preço.

O total a ser investido dentro do Brasil, de acordo com o diretor de operações da Rio Tinto Brasil, José Luiz Carvalho, vai depender da capacidade dos estaleiros e dos preços que serão conseguidos.

Dos 2,15 bilhões de dólares, apenas 10 por cento será investido na mina em Corumbá, informou Carvalho. Cerca de 48 por cento do total, ou 1 bilhão de dólares, será para compra de barcaças e empurradores.

Os recursos restantes serão usados na construção de um porto em Albuquerque (MS) e outro no Uruguai, na região de Agraciada, investimentos de 250 e 320 milhões de dólares, respectivamente. Uma correia de 29 quilômetros que levará o minério até o porto custará 450 milhões de dólares.

Edição de Roberto Samora

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