Correa diz que toma decisão sobre Odebrecht nos próximos dias

terça-feira, 30 de setembro de 2008 22:22 BRT
 

MANAUS, 30 de setembro (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou na noite desta terça-feira que a Odebrecht aceitou as exigências de seu governo para continuar operando no país, mas disse que a decisão final sobre a permanência da construtura brasileira será tomada nos próximos dias.

Segundo Correa, a Odebrecht voltou atrás depois de ter sido expulsa do país. "A decisão se mantém. A Odebrecht está fora do país", disse a jornalistas em entrevista coletiva após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós não estamos negociando, estamos exigindo justiça e que se cumpram estritamente os direitos do país", acrescentou.

O presidente equatoriano expulsou a Odebrecht do país no dia 23 de setembro e enviou militares para ocupar as obras da construtora avaliadas em 800 milhões de dólares. O motivo da expulsão foram problemas técnicos em uma hidrelétrica construída pela empresa brasileira. Correa ameaçou ainda não pagar empréstimo de 200 milhões de dólares ao BNDES, que estava vinculado à obra.

Correa comentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou o assunto com muito respeito por saber que o tema diz respeito a uma empresa privada e outro governo.

Mais cedo, o chanceler brasileiro Celso Amorim também referiu-se ao caso. Para ele, a informação de que a construtora brasileira teria enviado carta aceitando as condições impostas pelo país vizinho levou o governo brasileiro a aguardar a evolução dos fatos.

"A conversa foi positiva...e houve o reconhecimento de que a carta cria uma situação nova, que precisa ser reexaminada", disse Amorim.

Em relação à crise do sistema financeiro, Correa afirmou que a queda do consumo dos norte-americanos pode prejudicar as exportações da América Latina.

"Sobretudo as exportações equatorianas, que são bens não básicos, como flores e camarões", exemplificou.

Para Correa, a crise atual não assusta tanto, a não ser aqueles paises que se tornaram dependentes do consumidor norte-americano, "como México, com o acordo de comércio Nafta."

(Reportagem de Fernando Exman, Edição de Mair Pena Neto)