Vivo quer que Anatel restabeleça condições de concorrência

quarta-feira, 30 de abril de 2008 13:14 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A Vivo afirmou nesta manhã que a compra da Brasil Telecom pela Oi "altera a atual situação de mercado" e, por isso, espera que o órgão regulador tome medidas para restabelecer as condições de concorrência no país.

Segundo Roberto Lima, presidente da Vivo, em encontro com a imprensa nesta quarta-feira, a Vivo não é contra a operação de compra da Brasil Telecom, mas, na sua avaliação, a união das duas companhias "cria uma empresa forte em telefonia fixa, que é um segmento de alta geração de caixa, recursos que poderão ser usados na telefonia móvel." Essa condição, na opinião de Lima, "altera a situação do mercado."

Por isso, para ele, "deve ser uma preocupação do órgão regulador restabelecer as condições de concorrência." Lima disse não saber quais seriam as medidas necessárias para manter os padrões de competição, mas a empresa lembrou que a própria Anatel já afirmou que não irá alterar apenas a cláusula que permite a compra da Brasil Telecom pela Oi.

A Vivo é a maior operadora de celular do país em número de clientes, seguida pela TIM e pela Claro. A Oi é a quarta colocada nesse ranking e manterá essa posição com a aquisição da Brasil Telecom. Em telefonia fixa, no entanto, ela passa a ser a maior do Brasil e o segmento, segundo Lima, é forte gerador de caixa, mas exige baixos investimentos porque a base de telefonia fixa do país não cresce há anos.

Na medida em que a nova Oi se fortaleça com a compra, "o consumidor ganha porque passa a contar com uma oferta integrada de telefonia fixa e móvel por parte de um grupo forte, mas os outros (concorrentes) vão ter de encontrar parceiros para fazer a mesma oferta", disse Lima.

De acordo com o executivo, a Vivo quer, por exemplo, que sejam eliminadas as possíveis restrições para que ela aproveite todas as sinergias com a Telefônica, operadora de telefonia fixa no estado de São Paulo que pertence ao grupo espanhol que controla 50 por cento do capital da própria Vivo.

"Eventualmente, uma aproximação maior com a Telefônica poderia ser alvo de discussões com a Anatel", disse ele. Hoje a operadora não vê restrições a essa aproximação, mas se encontrar, pretende levar à Anatel proposta para que elas sejam eliminadas.