Para Wall St, Brasil ainda tem fragilidades fiscais

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008 16:01 BRST
 

NOVA YORK, 30 de janeiro (Reuters) - Embora o Brasil tenha cumprido a meta fiscal em 2007, analistas de bancos estrangeiros ainda vêem fragilidades nas contas do governo.

As principais críticas dizem respeito à má qualidade dos gastos e ao fato de o governo sempre contar com aumento da arrecadação para alcançar as metas, o que pode se tornar um problema maior conforme o Brasil seja atingido por uma desaceleração global.

"Em termos quantitativos, o desempenho fiscal tanto do governo central quanto do setor público consolidado não preocupa. O que ocorre é que a qualidade do gasto público continua ruim", avaliou Nuno Camara, economista sênior do Dresdner Kleinwort Bank, em Nova York.

"O desempenho continua firme e forte porque a arrecadação fiscal veio forte com melhor desempenho econômico e menor evasão fiscal. Mas, se olharmos os números, a gente vai ver que houve uma piora na qualidade dos gastos."

O setor público consolidado registrou no ano passado superávit primário de 101,6 bilhões de reais, frente à meta de 95,9 bilhões de reais.

Outros dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que as receitas do governo central cresceram 13,9 por cento em 2007 enquanto as despesas subiram 13,3 por cento.

O economista do Dresdner destacou que os gastos com pessoal e encargos chegaram a 4,6 do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, comparado a 4,5 por cento no ano anterior.

"Então, o que a gente ve é que houve uma dependência muito grande do crescimento econômico, ou seja, aumento de arrecadação, não queda de gastos", acrescentou Camara.

Para John Welch, estrategista do Lehman Brothers, "houve uma clara deterioração na performance fiscal apesar de o governo ter superado a meta de superávit primário".

"O governo continua contando com o crescimento da receita, o que aumenta a vulnerabilidade estrutural das finanças públicas a um cenário de desaceleração da atividade econômica", comentou em relatório.

(Reportagem de Walter Brandimarte; Texto de Daniela Machado; Edição de Isabel Versiani)