Brasil obtém grau de investimento apesar de crise

quarta-feira, 30 de abril de 2008 16:54 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil atingiu o tão esperado grau de investimento, na avaliação da agência de classificação Standard & Poor's, refletindo as melhores condições das contas externas e da economia doméstica.

A agência S&P elevou nesta quarta-feira a nota atribuída à dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil para "BBB-", o primeiro nível da faixa de grau de investimento. Na prática, isso significa que a agência considera que o país se tornou mais confiável para honrar suas dívidas.

"A elevação reflete o amadurecimento das instituições brasileiras e a estrutura de política, como foi evidenciado pelo alívio da carga de dívida fiscal e externa e (reflete) as melhores perspectivas de tendência de crescimento", disse a analista de crédito da S&P Lisa Schineller.

Alguns economistas foram surpreendidos pelo momento do movimento, enquanto outros já o esperavam havia tempo, mas todos foram unânimes em dizer que a crise internacional de crédito foi positiva para a decisão, já que o Brasil mostrou forte durante momentos de turbulência.

"(A elevação) veio principalmente pela evolução das contas externas --o Brasil é credor líquido já-- e pelas contas do governo, que teve superávit nominal", disse à Reuters Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets.

Para a analista da S&P, "a dívida geral do governo continua mais alta do que a de muitos países classificados em 'BBB', mas um histórico bastante previsível de políticas fiscal e de administração de dívida pragmáticas mitigam esse risco", acrescentou ela.

A avaliação de longo prazo em moeda local também foi elevada pela agência, de "BBB" para "BBB+". O rating de curto prazo em moeda estrangeira foi de "B" para "A3", enquanto em moeda local passou de "A3" para "A2".

Os economista esperam que agora as duas outras principais agências de classificação sigam a S&P. Por enquanto, Fitch e Moddy's colocam o Brasil a um degrau do grau de investimento.

"No curto prazo gera euforia e no médio prazo a gente vai ter algumas fontes de recursos que não podiam investir em países que não eram investiment grade... e isso será fortalecido assim que as demais agências seguirem a S&P", disse Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora.   Continuação...