30 de Abril de 2008 / às 22:19 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Crise global dá mais peso a grau de investimento do país

Por Daniela Machado e Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - Foi a cereja do bolo. O grau de investimento alcançado pelo Brasil nesta quarta-feira até poderia ser uma notícia morna depois de vários emergentes já estarem nessa categoria, mas o momento ajudou: foi especialmente importante que o carimbo tenha vindo durante uma crise global.

“Isso tem efeito aos olhos do investidor internacional e terá impacto em termos de fluxo de capitais e em investimentos produtivos”, afirmou Caio Megale, economista da Mauá Investimentos, gestora de recursos capitaneada pelo ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo.

A nota “BBB-”, atribuída pela Standard & Poor‘s, atesta que é reduzida a probabilidade de um calote da dívida pelo Brasil. Mais: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que isso “mostra o aumento da resistência da economia brasileira a choques externos”.

Para os economistas, o país pode se firmar como um destino privilegiado de investimentos diante do cenário externo turbulento e das perspectivas de recessão nos Estados Unidos ainda não descartadas.

Joel Bogdanski, economista do Itaú, lembra que grandes fundos mútuos norte-americanos e europeus, por exemplo, têm restrições para aplicar em países que não são grau de investimento. “Agora depende apenas da vontade deles.”

Com alta superior a 6 por cento, maior valorização diária no governo Lula, o principal índice de ações brasileiras teve fechamento recorde.

“No curto prazo vamos ter uma euforia nos mercados. Essa euforia é seguida por um movimento especulativo, em que você perde o teto dos preços, mas depois se acha o patamar”, analisou Nicola Tingas, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, tem avaliação semelhante. Para ele, o que importa no longo prazo é que o Brasil “vai estar na mira do mundo inteiro em função do reconhecimento de boas práticas de política econômica”.

Mas Alexandre Schwartsman, economista do banco ABN Amro do Brasil e ex-diretor da área externa do BC, lembrou que o Brasil ainda tem desafios.

“Não significa que, de repente, o país resolveu todos os problemas econômicos. Há muito a fazer em termos de reformas (estruturais)”, disse.

“As enormes tarefas, no entanto, podem esperar até amanhã. Hoje é dia de comemorar”, brincou.

Reportagem adicional de Aluísio Alves

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