31 de Janeiro de 2008 / às 20:57 / em 10 anos

Bovespa fecha mês com desvalorização acumulada de 6,9%

Por Cláudia Pires

SÃO PAULO (Reuters) - Em meio à intensa volatilidade causada pela desaceleração da economia dos EUA, a Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o primeiro mês do ano em queda nesta quinta-feira, com uma desvalorização acumulada de 6,9 por cento em janeiro.

O Ibovespa registrou perda de 1,33 por cento, fechando aos 59.490 pontos. O volume financeiro negociado foi de 7 bilhões de reais.

“Foi um mês muito diferente, direcionado por fatos e expectativas de eventos externos, principalmente diante de um risco de recessão nos EUA”, disse Gustavo Barbeito, analista da Prosper Gestão de Recursos.

“O mercado ficou perdido neste mês. As notícias boas foram interpretadas como ruins e as ruins como boas. Na verdade, a interpretação da maioria, seja ela qual for, é o que acaba prevalecendo”, afirmou Carlos Alberto Ribeiro, diretor da Novação Distribuidora.

Para fevereiro, os analistas avaliam ser difícil fazer previsões, justamente devido a essa aparente falta de parâmetros. “Os cortes de juros agressivos feitos pelo Fed aliados ao pacote fiscal tecnicamente dão uma sustentação ao mercado acionário nos próximos meses. Mas a situação ainda gera muita incerteza”, avaliou Barbeito.

“Tivemos um mês difícil e teremos outro mês difícil pela frente”, previu Ribeiro.

Nesta quinta-feira, como em outros dias deste mês, a bolsa paulista acompanhou as oscilações do mercado acionário internacional. As bolsas européias operaram em queda ao longo de todo o pregão, mostrando leve recuperação no fechamento.

Wall Street também abriu queda abalada por indicadores econômicos ruins, mas se recuperava com força no final da sessão graças, principalmente, a declarações de executivos da MBIA, uma grande seguradora de bônus, oferecendo garantias sobre as perspectivas da companhia.

A Bovespa acompanhou essas altas e baixas, chegando a perder mais de 3 por cento no início do pregão, mas se recuperou ao longo do dia. Mesmo assim, isso não foi suficiente para que o índice fechasse em alta.

Pela manhã, um dia após o corte de juros por parte do Fed, os mercados caíram após o governo dos EUA ter divulgado o número de pedidos de auxílio-desemprego, que subiu muito mais do que o esperado na semana passada, atingindo o maior nível em mais de dois anos.

Outro dado de destaque foi o gasto do consumidor que, apesar de ter aumentado 0,2 por cento em dezembro, um pouco acima do previsto, teve em 2007 o menor crescimento desde 2003, segundo o Departamento de Comércio norte-americano.

O índice PCE subiu 0,2 por cento em dezembro. O núcleo do indicador subiu 2,2 por cento na comparação anual, em um sinal de que as pressões inflacionárias persistem apesar do enfraquecimento da economia. O PCE é uma medida de inflação contida no relatório de renda e gastos dos norte-americanos bastante acompanhada pelo Federal Reserve.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, as preferenciais da Petrobras registraram queda de 2,70 por cento, cotadas a 80,40 reais, um dos fatores apontados pelos analistas para que a bolsa não tenha conseguido se recuperar totalmente. As ações da Vale fecharam em baixa de 0,97 por cento, a 44,77 reais, também colaborando para o desempenho ruim.

A Net, que divulga os resultados do quarto trimestre de 2007 ainda nesta quinta-feira, fechou em queda de 2,67 por cento, com ações negociadas a 20,44 reais.

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