Fabricantes de usinas de álcool se aprontam para demanda externa

quarta-feira, 31 de outubro de 2007 13:35 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Fabricantes brasileiros de equipamentos para usinas de álcool, que têm registrado forte demanda local, estão preparados para atender também um eventual aumento de pedidos externos, inclusive da África, que podem ocorrer devido à intenção do BNDES de financiar a compra de usinas completas produzidas no Brasil.

A dúvida, no entanto, gira em torno das garantias que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social poderá exigir para essas exportações.

Fruto de visitas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao continente africano este mês, e instrumento da tentativa de tornar o álcool uma commodity internacional, aumentando o número de países produtores, os financiamentos do banco para esse segmento seguirão as regras do BNDES Exim, normalmente garantidos por bancos de primeira linha, segundo a assessoria do BNDES.

Com carteira de 2,5 bilhões de dólares em obras de infra-estrutura na América do Sul, o BNDES emprestou até hoje para o continente africano apenas 142 milhões de dólares, referente a obras de construção civil em Angola. "O que a gente tem visto é muita conversa e não tanta ação (dos países africanos)", afirmou José Francisco Davos, vice-presidente de negócios da Dedini, líder mundial do segmento.

"Mas é natural, esses processos no mercado externo, alguns países são mais complicados no que tange a financiamento, em infra-estrutura, como a África", explicou.

Principalmente nos últimos dois anos, Davos viu a procura por usinas de álcool da companhia crescer. No mercado interno a procura se materializou em contratos, mas em outros países a venda se limitou a equipamentos e peças de manutenção, contribuindo com apenas 10 por cento do faturamento da empresa, ou cerca de 45 milhões de dólares este ano. Há cinco anos, as exportações não chegavam a 8 milhões de dólares.

Apontando a falta de garantias para financiamento como um dos principais entraves para a concretização dos negócios, Davos afirmou que com a linha do BNDES os acordos serão facilitados, mas dependem das condições do banco.

O executivo disse que mesmo que os obstáculos sejam superados, a indústria brasileira não verá acontecer na África a explosão de usinas que se vê hoje no Brasil.   Continuação...