July 31, 2008 / 12:29 PM / 9 years ago

De olho em 2009, BC promete "vigor" contra inflação

4 Min, DE LEITURA

Por Renato Andrade e Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) deixou claro nesta quinta-feira que fará de tudo para derrubar a inflação no curto prazo, e para isso promete agir "vigorosamente".

De acordo com a ata da reunião de julho, divulgada nesta quinta-feira, a estratégia adotada pelo Banco Central tem como objetivo trazer a inflação de volta à meta central de 4,5 por cento "tempestivamente", ou seja, já em 2009.

O BC continuará elevando o juro até que se dissipe um dos maiores temores da equipe chefiada por Henrique Meirelles: o risco de piora persistente das expectativas de inflação por conta de pressões isoladas sobre os preços.

"Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar vigorosamente, enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros", afirmaram os diretores do BC na ata.

Na reunião da semana passada, o Copom reforçou a dose do aperto monetário, ao decidir por unanimidade elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano.

A maioria dos analistas esperava um aumento de 0,50 ponto, como nos encontros de abril e junho.

Sem Surpresa

O teor da ata não surpreendeu economistas, mas o mercado de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) teve uma abertura volátil.

Às 11h30, quase todos os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) exibiam leve alta. O DI janeiro de 2010 indicava taxa de 14,88 por cento e o janeiro de 2009 --que embute a estimativa para a taxa Selic ao final do ano-- estava praticamente estável, a 13,71 por cento.

"A ata não trouxe nenhuma grande novidade. Ela repetiu a preocupação de colocar a inflação na meta, que é o que o mercado já sabia pelo comunicado (do Copom) da semana passada", afirmou o consultor de investimentos de uma corretora, que preferiu não se identificar.

A meta de inflação definida pelo governo para os anos de 2008, 2009 e 2010 é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

A alta acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --que baliza a política de metas-- em 12 meses até junho já supera 6 por cento e analistas consultados pelo próprio BC apostam que o indicador fechará o ano acima do teto da meta.

Se isso realmente ocorrer, Meirelles será forçado a encaminhar uma carta pública ao ministro da Fazenda explicando as razões pelas quais a inflação saiu do caminho e as ações que o BC pretende tomar para trazer os preços de volta à meta. Desde que o regime foi estabelecido no país, em 1999, a meta foi descumprida três vezes: em 2001, 2002 e 2003.

Depois da ata, alguns economistas firmaram aposta que o juro será elevado mais uma vez em 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 9 e 10 de setembro. Mas o cenário não é tão claro para os dois últimos encontros de 2008.

"A probabilidade de alta de 0,75 ponto na próxima reunião permanece", disse Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimento.

"Ele deixou em aberto que, se a melhora da inflação corrente vista nas últimas semanas se repercutir nas expectativas, ele pode retornar ao ritmo de 0,50 ponto."

De acordo com o último relatório Focus, as estimativas são de que a Selic encerrará o ano em 14,25 por cento e estará em 14,0 por cento em dezembro de 2009.

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