Crise externa deve adiar grau de investimento para Brasil--Citi

segunda-feira, 31 de março de 2008 11:48 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A crise global de crédito deve atrasar a chegada do Brasil ao grau de investimento, afirmou o Citigroup nesta segunda-feira após conferência na semana passada com as agências de classificação de risco Fitch e Standard & Poor's.

"O tom das duas agências foi inconsistente com a promoção do Brasil para grau de investimento em 2008", escreveram os analistas Geoffrey Dennis e Jason Press no relatório, que também citou o Peru e a Colômbia.

Atualmente, o Brasil é avaliado com nota BB+ na S&P e na Ficth --a um passo do grau de investimento.

Eles reconheceram, no entanto, que "as economias latino-americanas estão melhor posicionadas do que nunca para sobreviver à atual turbulência do mercado e à fraqueza macroeconômica global".

O Brasil também foi elogiado pelo crescimento das exportações e a redução da dívida pública externa líquida. Mas as agências continuam preocupadas, segundo o documento, com o "nível da dívida pública bruta, o balanço fiscal, o potencial baixo de crescimento do país e a taxa de investimento relativamente baixa."

A S&P chegou a afirmar que uma eventual perspectiva positiva para o Brasil "não será garantia de que a promoção vá ocorrer". Segundo a agência, as últimas elevações de nota foram relativamente rápidas, e se o país entrasse no grau de investimento em 2008, alcançaria esse status a uma velocidade maior que países como África do Sul, México e Índia.

As agências também estimaram que o Peru deve receber o grau de investimento antes do Brasil. Para compor o cenário de estudo, as duas agências consideraram que os Estados Unidos já se encontram em recessão, em linha com a avaliação do Citigroup sobre o assunto.

(Por Silvio Cascione)