Mantega acertou ao defender meta de inflação maior--Bernardo

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 12:11 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta quinta-feira que o desempenho recente da inflação mostrou que ele teria errado ao defender uma meta inflacionária de 4,0 por cento para 2009.

"Tivemos uma discussão acalorada sobre isso na época (de definição da meta). Eu era favorável aos 4,0 por cento e, aparentemente, eu estava errado", afirmou a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda para reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

"Os números estão mostrando que ele (ministro da Fazenda, Guido Mantega) estava certo, talvez eu tenha corneteado um pouco além da conta, mostra que eu tenho que seguir o Guido."

O governo fixou, em junho passado, meta central de 4,5 por cento para a inflação em 2009, mesmo patamar deste ano. À ocasião, Paulo Bernardo e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendiam uma redução da meta para 4,0 por cento.

Naquele momento, Mantega afirmou que, apesar de a meta formal ser de 4,5 por cento, o BC teria liberdade para buscar um patamar inferior a isso. O objetivo, segundo ele, era evitar que eventuais surpresas negativas obrigassem o Banco Central a endurecer excessivamente a política monetária.

Após manter o juro básico em 11,25 por cento ao ano na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou em ata divulgada nesta manhã estar pronto para agir caso a trajetória da inflação ameace descumprir a meta.

Para analistas, o BC deixou a porta aberta para uma elevação da Selic em meio a um cenário externo turbulento e a pressões inflacionárias.

Paulo Bernardo disse não ter lido a ata, mas frisou que a preocupação central do BC é com a inflação. "É uma determinação do presidente para toda equipe que temos que cerrar fileiras para que não haja inflação", afirmou.

(Reportagem de Isabel Versiani)