Hage sinaliza irregularidade em gasto de ministra com cartão

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 18:02 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Ao anunciar novas regras para o uso de cartões de crédito corporativos pelo governo federal, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, considerou irregular o uso dos cartões no pagamento de locação de veículos por período prolongado, como fez a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racional, Matilde Ribeiro.

"Não vou fazer afirmações sobre a ministra Matilde Ribeiro, porque o caso está sob análise da CGU, mas, em tese, aluguel de veículo em caráter eventual é permitido. Já em caráter permanente deveria ter sido feita licitação", disse Hage a jornalistas.

Matilde Ribeiro, de acordo com denúncias publicadas na imprensa, teria gasto mais de 100 mil reais na locação de carros em um ano e com o uso da mesma locadora. Em casos como este, que está sendo analisado pela CGU a pedido da Comissão de Ética Pública, a ministra deveria ter realizado uma licitação para a escolha da empresa.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e Hage anunciaram que estão vedados saques em dinheiro com o cartão corporativo, com exceções para órgãos da Presidência, vice-presidência, ministérios da Saúde e da Fazenda e escritórios do Ministério das Relações Exteriores fora do país.

Os ministros de Estado terão margem para autorizar saques até 30 por cento do limite dos cartões, justificando os gastos.

Outra medida anunciada foi a proibição da compra de passagens aéreas e o pagamento de diárias com os cartões corporativos. As novas regras estarão em decreto que será assinado sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bernardo e Hage defenderam a utilização do cartão corporativo como instrumento de transparência nos gastos e anunciaram que no prazo de 60 dias devem ser encerradas todas as contas do "tipo B" pelas quais o governo pode efetuar gastos por meio de cheques ou dinheiro.

"O uso do cartão é uma política de governo. O cartão aumenta a transparência, o controle", afirmou Hage.

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