Grupos criticam Mianmar por volta de população a local devastado

sábado, 31 de maio de 2008 11:12 BRT
 

Por Aung Hla Tun

YANGON (Reuters) - Mianmar precisa parar de forçar que os sobreviventes do ciclone Nargis retornem para suas casas destruídas, onde eles poderão enfrentar mais miséria e até morte, disseram grupos de defesa dos direitos humanos neste sábado, enquanto uma autoridade dos Estados Unidos acusava o governo militar de ser "surdo e mudo" em relação aos apelos vindos do exterior.

A junta da ex-Birmânia começou a retirar as famílias de centros de socorro do governo na sexta-feira, aparentemente temendo que as vilas de tendas tornem-se permanentes.

"É irresponsável que os generais da Birmânia forcem as vítimas do ciclone a voltar para suas casas devastadas", disse Brad Adams, diretor da Ásia do Human Rights Watch, em comunicado. "Alegar o retorno da 'normalidade' não é fundamento para levar as pessoas de volta para grande miséria e possivelmente, morte", acrescentou.

Mianmar disse que os esforços de resgate e ajuda estão terminados e agora o foco é a reconstrução, mas a Organização das Nações Unidas disse que a escala de devastação significa que a fase de auxílio após a passagem do ciclone, que ocorreu no dia 2 de maio, deve durar seis meses.

Em um dos mais ríspidos comentários de Washington sobre a resposta de Mianmar ao ciclone, o Secretário de Defesa, Robert Gates, disse que dezenas de milhares de pessoas morreram devido à recusa do governo militar de permitir ajuda estrangeira.

Quase uma semana após o líder do governo, Than Shwe, ter prometido permitir que "todas" as equipes de ajuda humanitária legítimas entrassem no país, 45 pedidos de vistos da ONU foram aprovados na quarta-feira, mas as autoridades continuam dificultando o acesso ao delta do rio Irrawaddy.

Navios norte-americanos e de outros países ocidentais também foram impedidos de desembarcar equipes nas áreas devastadas.

"Sabíamos que teríamos que partir em algum momento, mas esperávamos mais apoio", afirmou Kyaw Moe Thu, de 21 anos, enquanto deixava o campo de refugiados com cinco irmãos e irmãs.   Continuação...