March 31, 2008 / 2:56 PM / 9 years ago

Mercado vê Selic a 12% após Relatório de Inflação do BC

4 Min, DE LEITURA

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Após o Banco Central reforçar seu discurso contra a inflação, o mercado elevou a previsão para a taxa Selic no final deste ano para 12,0 por cento, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira.

O prognóstico anterior era de manutenção do juro nos atuais 11,25 por cento ao ano. Na semana passada, o BC divulgou o Relatório de Inflação do primeiro trimestre, elevando a previsão do IPCA para 4,6 por cento neste ano e mostrando-se bem atento à evolução da oferta e da demanda.

A estimativa das instituições classificadas como Top 5 pelo BC --as que mais acertam no Focus-- é ainda mais agressiva e indica Selic a 13,0 por cento no final do ano. O prognóstico anterior era de 12,25 por cento.

Para o total das instituições consultadas, o primeiro aumento não deve ocorrer já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As Top 5, no entanto, vêem a primeira alta da Selic em abril, para 11,50 por cento.

"O Relatório de Inflação veio bem forte e as declarações do Mario Mesquita (diretor de Política Econômica do BC) também. Isso levou vários analistas a mudar suas previsões. Dentro dos riscos para o cenário de inflação, o principal vem da demanda... e, em relação a isso, o BC deu a entender que vai elevar juros", comentou Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria.

Em entrevista a jornalistas após a divulgação do relatório, o diretor de Política Econômica do BC falou em "ação preventiva" contra a inflação.

Para o final de 2009, o mercado manteve a estimativa de Selic em 10,50 por cento ao ano.

INFLAÇÃO

O mercado também elevou a projeção para o IPCA, mas ainda vê a inflação abaixo do centro da meta em 2008 e 2009.

A estimativa para este ano passou para 4,47 por cento, ante 4,44 por cento na semana anterior. Para 2009, o prognóstico oscilou para 4,31 por cento, frente a 4,30 por cento antes.

"A gente vê algum risco para a inflação vindo da demanda, mas por enquanto a gente acredita que essa pressão de demanda não vai se transferir para uma maior pressão inflacionária e vemos a inflação em torno do centro da meta", acrescentou Marcela.

O relatório Focus mostrou ainda uma pequena alteração na estimativa para o crescimento econômico deste ano, que passou de 4,5 para 4,6 por cento. A projeção para a expansão em 2009 subiu de 4,0 por cento para 4,06 por cento.

O prognóstico para o dólar no final deste ano foi mantido em 1,75 real e para o fim de 2009 passou de 1,82 real para 1,83 real.

A estimativa para o superávit da balança comercial neste ano caiu para 28 bilhões de dólares, ante 28,77 bilhões de dólares na semana anterior.

Colaborou Cláudia Pires; Edição de Daniela Machado

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