Superávit primário é recorde em fevereiro; dívida sobe

segunda-feira, 31 de março de 2008 12:41 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro registrou superávit primário recorde para o mês em fevereiro, favorecido por receitas tributárias crescentes, mas a dívida pública aumentou em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

O superávit primário, que mede a diferença entre as receitas e despesas não-financeiras, foi de 8,966 bilhões de reais em fevereiro, frente a 6,679 bilhões de reais em igual período do ano passado, informou o Banco Central nesta segunda-feira.

"As receitas estão mais elevadas e os dispêndios não cresceram tanto assim", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, acrescentando que o atraso na aprovação do Orçamento deste ano contribuiu para uma contenção dos gastos.

Em 12 meses encerrados em fevereiro, o superávit primário ficou em patamar equivalente a 4,18 por cento do PIB --a meta para o ano é de 3,8 por cento do PIB. No mesmo período, o déficit nominal foi de 2,07 por cento do PIB.

O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público subiu para 42,2 por cento do PIB no mês passado, ante 41,9 por cento em janeiro. Contribuiu para essa elevação a valorização do real frente ao dólar no mês --de cerca de 4 por cento--, uma vez que os ativos cambiais do governo superam os passivos.

NOVAS PROJEÇÕES

O BC estima que a relação dívida/PIB fechará março em 41,7 por cento e chegue ao final do ano em 41,3 por cento. A estimativa anterior, anunciada há três meses, era de que a dívida ficasse em 41,5 por cento ao final de 2008.

A nova projeção, segundo Lopes, refletiu a elevação da projeção do BC para o crescimento do PIB, de 4,5 para 4,8 por cento.

O prognóstico para o déficit nominal em 2008, por outro lado, aumentou de 1,2 para 1,6 por cento, acompanhando as novas projeções do mercado para câmbio e juros.

Essas projeções foram alteradas de 11,3 por cento para 11,6 por cento, no caso do juro médio em 2008, e de 1,80 real para 1,75 real para o dólar no final do ano, segundo sondagem semanal do BC.