Igreja espera "sinais" para mediar diálogo político na Bolívia

segunda-feira, 31 de março de 2008 15:49 BRT
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - A Igreja Católica boliviana manteve suspensa na segunda-feira a convocação de um diálogo para superar o conflito entre o governo de Evo Morales, que deseja implementar mudanças na Constituição, e a oposição conservadora, que defende a autonomia regional.

Fontes da cúpula católica disseram que os bispos continuam esperando "sinais de abertura" de ambos os lados, o que prolonga as incertezas a pouco mais de um mês para o primeiro dos vários referendos sobre autonomia não autorizados pelo governo.

"A Igreja continuará esperando mais sinais das partes em conflito, para então convocar o entendimento", disse a repórteres Marcial Chupinagua, porta-voz do cardeal Julio Terrazas.

"Esperaremos o tempo necessário. Entretanto, continuaremos a fazer contatos para aproximação", acrescentou ele.

A pedidos do governo e da oposição --que é representada pela aliança política "Podemos" e pelos governadores de cinco dos nove estados do país --, a Igreja Católica aceitou há quase um mês ser a "mediadora" do diálogo, amplamente visto como a última opção para evitar uma eventual explosão de violência política.

Morales estimula mudanças profundas na Constituição, com o objetivo de "refundar" o país e frear as desigualdades sociais que submetem a esmagadora maioria indígena, exercendo maior controle estatal sobre a economia e a propriedade de terras.

Já o projeto de estatuto autônomo da rica província de Santa Cruz, que seria submetido a referendo, outorga a um futuro governo regional a administração da política agrária, o que o governo de Morales considera uma "rebelião latifundiária" contra o processo de mudança.

O governo se mostrou aberto ao aceitar a suspensão de dois referendos nacionais para por em vigência a nova Constituição, mas, ao mesmo tempo, enfureceu os agroempresários ao proibir as exportações de azeite comestível com a justificativa de combater a inflação.

Encabeçados por autoridades de Santa Cruz, os opositores se negaram a suspender seu referendo autônomo, convocado para 4 de maio, e começaram na semana passada uma onda de protestos contra o veto temporário às exportações de azeite.

Caminhoneiros de Santa Cruz, alinhados ao movimento autonomista, bloqueiam há seis dias o controle aduaneiro na fronteira com o Brasil.