PETROBRAS avalia aumento na participação de projeto de Carabobo

segunda-feira, 31 de março de 2008 16:30 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 31 de março (Reuters) - A Petrobras (PETR4.SA: Cotações) avaliará a possibilidade de aumentar sua participação no projeto de petróleo pesado de Carabobo, na Venezuela, numa parcela superior a até 10 por cento que vinha considerando, afirmou uma autoridade da companhia na segunda-feira.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse a repórteres que os estudos sobre o projeto continuarão por dois meses e que, caso a Petrobras tenha certeza sobre um retorno adequado, pode aumentar seu peso no projeto.

A avaliação ocorre após um encontro na semana passada entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no qual Lula pareceu insistir que a petrolífera nacional incremente sua parcela para 40 por cento do projeto --conforme o previsto no plano original.

"Até a semana passada, estávamos estudando uma participação de não mais de 10 por cento", afirmou Costa, recusando-se a comentar sobre a existência de pressões do governo sobre a Petrobras.

"Nos próximos 60 dias, podemos ter mudanças nesse cenário de forma a permitir uma participação maior... se tivermos mais clareza nos investimentos, retornos e prazos", disse Costa, que não descartou a possibilidade da Petrobras não assumir qualquer parcela de Carabobo.

Por ser uma companhia de capital aberto, a Petrobras está menos presa pelas rédeas do governo do que a petroleira venezuelana PDVSA e possui um projeto gigante de petróleo leve para ser desenvolvido domesticamente nos próximos anos.

Caso a petrolífera brasileira recuse a parcela de 40 por cento no projeto de Carabobo, a PDVSA lançará uma licitação para os possíveis interessados em assumir a participação, segundo Costa.

Lula e Chávez comprometeram-se, na quinta-feira, a acelerar a integração energética entre os dois países e a avançar nas conversas sobre a construção de um gasoduto que ligaria a Venezuela ao Brazil e à Argentina, assim como as negociações para a produção e o refino conjunto de petróleo.

O projeto de Carabobo é ligado ao plano de construção de uma refinaria de petróleo de 4 bilhões no Nordeste brasileiro. Na última quarta-feira, Lula e Chávez concordaram inicialmente que a PDVSA assuma 40 por cento do projeto, enquanto a Petrobras seria proprietária dos 60 por cento restantes.   Continuação...