31 de Julho de 2008 / às 18:54 / 9 anos atrás

JBS ampliará capacidade no Brasil apesar de aperto nas margens

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Maior empresa do setor de bovinos do mundo, o JBS jogará pesado contra seus competidores no Brasil, ampliando em 25 por cento sua capacidade de abate no país até o final de 2008, mesmo em um mercado com oferta apertada de matéria-prima e margens em queda, disse o presidente da empresa nesta quinta-feira.

“Teremos capacidade de abater mais 5 mil bois por dia no Brasil até o final do ano”, declarou Joesley Mendonça Batista, em entrevista para comentar os resultados do JBS. Com a ampliação, a empresa poderia abater até 25 mil cabeças/dia.

O JBS teve prejuízo de 364,4 milhões de reais no segundo trimestre, com balanço fortemente afetado por aspectos contábeis [ID:nN31281176]. Não fosse isso, a empresa poderia ter tido lucro de 136,6 milhões de reais no período.

Mas a companhia, com atuação nos Estados Unidos, Austrália, Argentina e Itália, registrou também uma expressiva redução da margem Ebitda no Brasil, para 4,9 por cento, contra 14,7 por cento no mesmo período do ano passado, devido à forte alta na arroba do boi no Brasil, que se encontra em um ciclo de baixa oferta de animais.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea), o preço da arroba saltou de 63 reais em julho de 2007 para um patamar de 90 reais, com picos recentes de 95 reais.

Embora descarte a possibilidade de novo salto na cotação do boi, Batista afirma que as margens tendem a ficar mais apertadas neste ano. “Acho que vou ver um terceiro trimestre pior do que no segundo no Brasil”, disse ele, observando que as margens no país estão se deteriorando para todo o setor e que assim a empresa não perdeu mercado no período.

Dessa forma, o presidente do JBS espera que prevaleça a força do grupo no mercado brasileiro. “O JBS seguirá crescendo com margens melhores ou piores, respeitando o nosso endividamento.”

Com uma maior capacidade do JBS e a ampliação de abates de outros concorrentes, como o Bertin, citado por Batista, “vai piorar uma situação que estava ruim”.

“Estamos ampliando... a única maneira de ganhar market share é se o outro perder”, disse o presidente, admitindo que no futuro a tendência é de diminuição do número de empresas no setor no mercado atual.

O crescimento da companhia neste ano, cujo investimento não foi divulgado, deve se dar apenas em aumento da capacidade. “Mas em 2009 vamos ter oportunidades.”

DESEMPENHO NOS EUA É DESTAQUE

As operações do JBS no exterior tiveram destaque no balanço do segundo trimestre, com exceção das unidades na Argentina --cujas exportações estiveram restritas.

O faturamento das operações de bovinos nos EUA (incluindo Austrália), que respondem pela maior parte da receita do JBS (37 por cento), aumentaram a sua margem Ebitda de zero para 5,1 por cento.

Segundo o presidente, isso ocorreu pela redução de custos, aumento da produtividade e expansão de produtos de maior valor agregado. Mas as operações também foram beneficiadas por uma certa estabilidade do preço do boi nos EUA e por um dólar fraco, que torna mais competitivas as exportações a partir de lá.

Com a alta da carne do Brasil, maior exportador mundial, chegando a um limite de preço no exterior, pelo repasse de custos, até países como a Rússia passaram a comprar o produto dos EUA.

“Quando os preços chegaram a 4 mil dólares, os Estados Unidos e a Austrália disseram: ‘nesse preço eu também vendo (para a Rússia)”', disse Batista.

Além disso, o JBS USA já registrou impacto positivo no trimestre da abertura do mercado coreano, fechado anteriormente por embargos decorrentes da doença da vaca louca nos EUA.

Ainda aguardando a aprovação pelo Departamento de Justiça dos EUA da compra da National Beef e da Smithfield, realizada em março, o JBS espera reduzir mais seus custos quando os negócios receberem o aval do governo.

Edição de Denise Luna

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