31 de Maio de 2008 / às 16:15 / em 9 anos

Chefe do Pentágono diz que EUA manterá seu poder na Ásia

Por Andrew Gray

CINGAPURA (Reuters) - Washington continuará comprometido com a Ásia não importa o que acontecer na eleição presidencial norte-americana neste ano, disse neste sábado o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, a autoridades da região.

Sua mensagem, dita em uma conferência de autoridades de segurança e defesa da Ásia, aparentemente tinha como objetivo reafirmar alianças e serviu como um comunicado de intenções à China após o crescimento econômico e militar de Pequim nos últimos anos.

“Como alguém que serviu a sete presidentes dos Estados Unidos, quero comunicar a vocês com confiança de que a política de segurança e relação à Ásia em qualquer administração futura nos EUA será baseada no fato de que os Estados Unidos permanecem como uma nação com fortes e duradouros interesses nesta região”, afirmou Gates.

“Posso assegurar a vocês que os Estados Unidos -- devido ao nosso interesse e por causa dos nossos valores -- não apenas continuarão engajados, como ficarão ainda mais engajados nas décadas seguintes”, afirmou o ex-chefe da CIA.

Falando no fórum anual Diálogo Shangri-Lá, em Cingapura, Gates tentou balancear os seus comentários em relação à China. Autoridades dos EUA disseram que ele queria deixar as visões de Washington claras sem criar uma confrontação aberta com Pequim.

Gates ofereceu elogios, citando a “valiosa cooperação” da China nas conversas com a Coréia do Norte sobre armas nucleares, e evitou críticas diretas ao país.

No entanto, ele também fez alusão a assuntos quem têm sido polêmicos, como pedidos insistentes dos EUA por maior transparência nos orçamentos militares da China. O ministro da Defesa do Japão, Shigeru Ishiba, também pediu que a China fosse mais clara sobre seus gastos e intenções.

CHINA REBATE

Mas o tenente-general Ma Xiao Tian, vice-chefe de Estado Maior do Exército Popular de Libertação da China, respondeu na mesma conferência, dizendo que o gasto de seu país com defesa estava “em nível baixo” comparado ao orçamento de outras nações.

Ele afirmou que cerca de dois terços do gasto chinês com defesa vai para manutenção e treinamento. O tenente-general criticou implicitamente os esforços dos EUA com o escudo anti-mísseis, descrevendo tal sistema como “não puramente defensivo”.

“A China é um país que ama a paz e seu povo é um povo que ama a paz”, disse. “Não somos ameaça militar a nenhum outro país.”

A crescente prosperidade da China tem sido acompanhada por crescimentos de dois dígitos nos gastos militares e um plano para a modernização de suas forças armadas e equipamentos. Pequim anunciou que aumentará seu gasto com defesa em 17,6 por cento neste ano, passando esse montante a ser de 418 bilhões de iuans (60,2 bilhões de dólares).

O Pentágono e analistas do Ocidente dizem que o verdadeiro gasto da China com o setor militar pode ser duas ou três vezes maior do que a quantia oficialmente divulgada. Mesmo assim, o montante permanece muito abaixo do orçamento norte-americano de mais de 500 bilhões de dólares, que não inclui gastos com a guerra.

Gates disse que Washington quer trabalhar com todas as nações asiáticas para entender seus orçamentos militares e decisões. Dessa forma, erros de orçamento poderiam ser evitados.

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