SUMMIT-EMBRAER espera reação do governo diante de jato japonês

segunda-feira, 31 de março de 2008 19:26 BRT
 

SÃO PAULO, 31 de março (Reuters) - A Embraer (EMBR3.SA: Cotações) está acompanhando de perto o desenvolvimento do primeiro avião de passageiros do Japão, que está sendo projetado pela Mitsubishi Heavy, e espera que o governo brasileiro se posicione contra eventuais violações de regras da OMC no financiamento da aeronave, afirmou nesta segunda-feira o presidente da companhia brasileira.

"O Japão é membro da OMC e o Brasil não vai assistir a um subsídio governanmental a um produto comercial" sem reagir, disse o presidente da maior fabricante de jatos regionais do mundo, Frederico Curado.

"Esse assunto vai ser monitorado de perto pelo governo brasileiro, e assim esperemos que seja. Não posso falar pelo governo brasileiro, mas posso falar que nós o incentivaremos a isso", afirmou Curado durante o Reuters Latin America Investment Summit.

"Não é razoável que alguém desenvolva um produto novo com subsídios do contribuinte japonês. Não é razoável mesmo, porque no Brasil isso não é feito", acrescentou.

A Mitsubishi Heavy (7011.T: Cotações), maior fabricante de equipamentos industriais do Japão, anunciou na sexta-feira que lançará um projeto de 1 bilhão de dólares para a construção de um jato apelidado de MRJ, que terá capacidade para 70 a 90 passageiros e deverá estar voando até 2013.

Para Curado, os planos da Mitsubishi Heavy não representam uma ameaça para a companhia brasileira, pelo menos por enquanto. "Não é ameaça hoje, nos próximos cinco a 10 anos. Daqui a 20, 25 anos, pode ser uma tremenda ameaça e os chineses também poderão ser, dependendo da obstinação deles."

Segundo o executivo, a companhia japonesa está desenvolvendo seu jato num momento de discussão tecnológica que deverá estar mais definido nos próximos três anos. Além disso, Curado vê um mercado de aviões executivos mais amadurecido e cada vez mais disputado, também pela Embraer.

"Então, quando o jato japonês estiver entrando no mercado, vai pegar um pouco no contrapé de uma onda tecnológica de novos produtos que estará um passo à frente", disse Curado.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de Alexandre Caverni)