March 31, 2008 / 10:43 PM / 9 years ago

SUMMIT-ATUALIZA-EMBRAER espera reação do governo a jato japonês

5 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações)

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 31 de março (Reuters) - A Embraer (EMBR3.SA) está acompanhando de perto o desenvolvimento do primeiro avião de passageiros do Japão, que está sendo projetado pela Mitsubishi Heavy, e espera que o governo brasileiro se posicione contra eventuais violações de regras da OMC no financiamento da aeronave, afirmou nesta segunda-feira o presidente da companhia brasileira.

"O Japão é membro da OMC e o Brasil não vai assistir a um subsídio governanmental a um produto comercial" sem reagir, disse o presidente da maior fabricante de jatos regionais do mundo, Frederico Curado.

"Esse assunto vai ser monitorado de perto pelo governo brasileiro, e assim esperemos que seja. Não posso falar pelo governo brasileiro, mas posso falar que nós o incentivaremos a isso", afirmou Curado durante o Reuters Latin America Investment Summit.

"Não é razoável que alguém desenvolva um produto novo com subsídios do contribuinte japonês. Não é razoável mesmo, porque no Brasil isso não é feito", acrescentou.

A Mitsubishi Heavy (7011.T), maior fabricante de equipamentos industriais do Japão, anunciou na sexta-feira que lançará um projeto de 1 bilhão de dólares para a construção de um jato apelidado de MRJ, que terá capacidade para 70 a 90 passageiros e deverá estar voando até 2013.

Para Curado, os planos da Mitsubishi Heavy não representam uma ameaça para a companhia brasileira, pelo menos por enquanto. "Não é ameaça hoje, nos próximos cinco a 10 anos. Daqui a 20, 25 anos, pode ser uma tremenda ameaça e os chineses também poderão ser, dependendo da obstinação deles."

Segundo o executivo, a companhia japonesa está desenvolvendo seu jato num momento de discussão tecnológica que deverá estar mais definido nos próximos três anos. Além disso, Curado vê um mercado de aviões executivos mais amadurecido e cada vez mais disputado, também pela Embraer.

"Então, quando o jato japonês estiver entrando no mercado, vai pegar um pouco no contrapé de uma onda tecnológica de novos produtos que estará um passo à frente", disse Curado.

Curado vê no projeto CSeries, da rival imediata Bombardier (BBDb.TO), o mesmo problema de timing em relação à tecnologia, porém "a diferença é que a Bombardier já é uma empresa estruturada, uma empresa presente no mercado e que tem uma força muito grande".

Novos Modelos

A Embraer "tem enorme vontade" de ingressar no segmento de aviação executiva que engloba aeronaves capazes de fazer viagens continentais (conhecido como "ultra long range"), disse Curado, mas ainda falta à empresa uma consolidação de seu nome no mercado. Atualmente a Embraer tem quatro modelos com capacidade desde oito até 19 passageiros.

"Pretendemos entrar nele (segmento ultra long range) mais para frente, porque ainda não temos tradição e marca que nos leve a esse segmento (...) Não está no nosso radar de cinco anos", afirmou.

Na semana passada, a empresa anunciou um plano para o desenvolvimento de dois novos jatos da categoria midlight e midsize, com capacidade entre 7 e 12 passageiros.

O executivo disse ainda no encontro desta tarde que a companhia está em fase preliminar nos estudos para o desenvolvimento de um cargueiro militar, que teria mais chances de sofrer menos entraves a exportações do que caças de combate. O mercado inicial seria a frota de 20 Hércules 130 mantidos pela Aeronáutica brasileira.

"Temos uma boa expectativa sobre esse programa, mas isso é um projeto a fundo perdido", afirmou sem dar mais detalhes.

Para 2008, o executivo informou que a margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) deve ficar em cerca de 9 por cento, praticamente mesmo nível do reportado no ano passado. Porém, se forem excluídos ganhos com itens excepcionais registrados em 2007, a margem deve apresentar alta de cerca de 4 pontos percentuais no período.

As ações da Embraer encerraram esta segunda-feira em alta de 0,69 por cento, cotadas a 17,47 reais. Enquanto isso, o Ibovespa .BVSP avançou 0,85 por cento.

Reportagem adicional de Todd Benson; edição de Alexandre Caverni

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